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Quinta-Feira, 27 de Março 2008 - 0h45

O poder das ervas

Adriana Matiuzo
MATHEUS URENHA O poder das ervas COMO NOSSAS AVÓS A fisioterapeuta Luciana Sensini diz que os conhecimentos sobre as plantas são antigos

Durante muito tempo elas estiveram no quintal de nossas avós e eram vistas com desconfiança pelos mais céticos. Agora, ervas dos mais variados tipos e com as mais diferentes propriedades trazem a cosméticos e chás toda a credibilidade conquistada junto às mulheres ao longo de anos por sua naturalidade e eficácia.
Dentre os produtos à base de ervas, sem dúvida, o chá verde, tido como um poderoso emagrecedor, faz da erva Camelia cinensis a mais popular no momento entre as mulheres.
Segundo o Núcleo de Ciências da Amazônia, entidade de pesquisa sobre ervas de Belém (PA), o consumo de chás à base de ervas produz um processo de desintoxicação. O núcleo, criado em 1992, tem um acervo com cinco mil plantas catalogadas e usadas no Projeto Saúde Bilateral, que atende pessoas interessadas em tratamentos à base de ervas.
Segundo a botânica Joanna Fromer Leal, a metodologia dos chás amazônicos é baseada na Medicina Ancestral ou alternativa, com forte apelo popular tradicional passada pelos mais velhos e por tribos indígenas. Ou seja, não está atrelada a nenhuma das linhas da medicina tradicional, cujas diretrizes se concentram sobre o Conselho de Medicina.
A botânica explica que plantas como a salva do marajó, a folha do lacre, a camélia sinensis, a Coleus Barbatus, a açoita cavalo e a graviola são alguns exemplos das ervas que auxiliam o organismo na perda gradativa do excesso de peso. Joanna afirma, no entanto, que nem tudo o que é natural pode ser tomado aleatoriamente. O ideal é que haja doses prescritas por especialistas em medicina alternativa e que a erva usada tenha princípios que atuem exatamente no foco do problema. Caso contrário, mesmo a medicina alternativa pode sim causar danos à saúde. A botânica, no entanto, acha que os chás de ervas representam o futuro, pelo menos no que diz respeito ao combate à obesidade. Ela afirma que os chás possibilitam um “efeito varredura” dos resíduos de gordura acumulados no corpo ao longo de anos, sem a devida “queima”. A maior vantagem, segundo a botânica, está na composição sem conservantes ou qualquer aditivo químico.
- O modismo é passageiro, apenas o respaldo científico dos homens da floresta com experiência e resultados comprovados é que ascenderão para esta época e permanecerão com eficácia, diz a botânica.


Saúde e beleza
Babosa, pequi e extratos de bambu
Se existe uma planta que nunca caiu de moda, mesmo para os pesquisadores mais sofisticados da biotecnologia, ela se chama babosa. Para quem não sabe, a planta fornece o princípio ativo da aloe vera, responsável, dentre outras coisas, por uma hidratação profunda nos cabelos e na pele.
Segundo a fisioterapeuta Luciana Sensini, a biotecnologia é responsável por aproveitar os princípios ativos mais eficientes para embelezar a mulher. Foi justamente o largo uso de ervas para a saúde, mas também para a beleza, que despertou o interesse nos cientistas em pesquisar os princípios ativos das plantas. Mas a sofisticação cada vez maior dos equipamentos acabou levando a indústria cosmética a chegar a plantas ainda mais ricas em princípios ativos importantes. Hoje o pequi e os extratos de bambu, por exemplo, oferecem formulações mais completas para a indústria cosmética. As plantas acabaram ficando para trás. A aloe vera da babosa foi um dos poucos princípios ativos que não foram substituídos pela indústria por outros mais completos e eficientes.
As avós já sabiam
- É engraçado, porque anos atrás, e muita gente se lembra disso certamente, as nossas avós pegavam o pé de babosa, cortavam as folhas e passavam a aloe vera no cabelo e na pele, lembra Luciana. A fisioterapeuta afirma ainda que era comum também, antes do desenvolvimento da biotecnologia, o uso de cataplasmas com as ervas. Elas eram amassadas e as substâncias que liberavam eram molhadas em gaze e colocadas pelo corpo para tirar olheiras por exemplo.

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