Vicente Golfeto
Quinta-Feira, 27 de Março 2008 - 0h57 A ciência é transformada, quase sempre, através de revoluções. Já as artes – inclusive a moda, sempre questionada se realmente é arte – desenvolvem-se através de evoluções. Constantes evoluções.
Pablo Picasso, o genial pintor espanhol, enxergou primeiro este fato, quando disse: “eu comecei onde Goya parou”.
No caso, a evolução ocorreu no âmbito da pintura, a mesma arte que viu que Piero della Francesca foi o marco zero da pintura moderna. Mas há outros casos.
Há também cruzamento de artes. Elas se influenciam de tal maneira que se pode dizer, por exemplo – como falou Goethe que “escultura é a música em pedra” – que não há evolução numa arte sem que outra não seja igualmente alterada.
Por seu lado, a música pode dar seqüência à literatura. E vice-versa.
No Brasil, Machado de Assis, falecido em 1908, teve sua obra seqüenciada por Cartola, na música.
Cartola, morto em 1980, está sendo sucedido por quem? Seria na dança, na literatura, na pintura, no cinema, na fotografia, no teatro ou na própria música? Mas há continuidade. Há o que se denomina de evolução. A arte é sempre o ponto de encontro do real com o transcedental.
O poema já foi – no âmbito da poesia – o instrumento de comunicação mais importante de um povo. Atualmente, poema algum é capaz de ter um impacto comparável ao que determinados filmes, discos e mesmo concertos de rock têm.
Uma pena porque, dizem até, que a poesia – em determinada época – submeteu a música. Mas eram outros tempos.
O lugar perdido pela poesia pode ser ocupado pela dança, que é “a combinação do tempo com o espaço”, segundo Maurice Béjart, recentemente falecido.
A música é o tempo. O movimento ocupa o espaço. A dança alia o movimento físico à emotividade. Por isto ela também – Terpsícore, uma das musas de Apolo, era a dança – é o pensamento do corpo. Machado de Assis antecedeu Cartola, que está sendo sucedido por ..........?