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Opinião

Quinta-Feira, 27 de Março 2008 - 0h58

Entre mortos e vivos


Mais de quinhentos alunos, em dois períodos, dividem apenas quatro sanitários instalados em dois pequenos banheiros, na escola municipal Domingos Angerami, em Ribeirão Preto. São estudantes que cursam da primeira à oitava série do ensino fundamental e enfrentam outros problemas.
As crianças assistem às aulas em salas apertadas, ao lado da quadra de esportes. As instalações elétricas estão expostas e exigem reformas.
A situação constrangedora e inadequada está sendo apurada pelo Ministério Público. A alegação da Secretaria Municipal da Educação é de que a escola só atendia o Ribeirão Verde e agora atende outros três bairros. A demanda aumentou muito e a estrutura física da rede não acompanhou o crescimento.
Se não há falta de planejamento, há falta de verba. O fato é que a educação não pode ser penalizada dessa maneira. Nem a saúde.
Num flagrante descuido, visitantes do Cemitério Bom Pastor tiveram uma visão de filme de terror esta semana: na quadra 9G, vísceras humanas expostas chocavam e assustavam os desavisados.
Não se trata apenas de aversão a cenas escatológicas. Não é nada recomendável, para a saúde pública, que restos insepultos de autópsias fiquem descobertos. No terceiro milênio, no século 21, uma cidade como Ribeirão Preto exige cuidados especiais no depósito de cadáveres. E no que diz respeito aos vivos, é preciso que a educação, além da saúde, seja uma prioridade.
Enquanto isso não acontecer, estaremos muito aquém do que merecemos. E muito além do limite entre o aceitável e o inaceitável.

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