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Quinta-Feira, 27 de Março 2008 - 1h13
DE PASSAGEM Vala comum é aberta após 3 anos para exumação; restos de roupa ficam na terra
Restos de órgãos humanos, manipulados em autópsias, ficam expostos a céu aberto no cemitério Bom Pastor, em Ribeirão Preto. O fato foi testemunhado por um leitor do jornal A Cidade e confirmado pelo administrador do cemitério.
No Bom Pastor, nos fundos da quadra 9G, uma grande vala permanece aberta o tempo inteiro. Na quinta-feira da semana passada, o leitor, que não quis ser identificado, afirmou ter visto os restos de autópsia.
Ao olhar dentro do buraco, que não tem nenhum tipo de aviso ou restrição de acesso, se deparou com vísceras e pedaços de órgãos humanos.
Libertino Henrique da Silva, 56 anos, administrador do cemitério Bom Pastor, confirma o depósito de vísceras na vala aberta nos fundos da quadra 9G.
“Desde 1982, temos um convênio com a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e com o Cemel (Centro de Medicina Legal), para enterrarmos as vísceras resultantes do serviço de verificação de óbitos, as autópsias”, diz Silva.
Segundo ele, as vísceras são jogadas na vala toda quinta-feira. Em seguida, o coveiro cobre com uma camada de terra.
“O que deve ter acontecido nesse dia é que o coveiro devia estar ocupado com algum sepultamento, demorou para ir lá cobrir as vísceras e nesse meio tempo alguém passou e viu”, afirma o administrador do cemitério.
Cobrindo as vísceras
Segundo Silva, não é possível fechar a vala todas as semanas. “A gente abre uma vala grande e vai cobrindo as vísceras com terra até encher o buraco. Aí abrimos outro”, explica.
Na mesma quadra 9G, e em todas as reservadas para sepultamentos em vala comum, é possível encontrar valas abertas para exumação dos restos mortais.
Os ossos são removidos e transferidos para gavetas individuais ou para o ossário geral, mas restos do caixão e de roupas ficam na terra.
As valas não são fechadas: tecidos e madeira do caixão ficam expostos permanentemente.
Sobre as valas comuns, abertas após a exumação de corpos, o administrador do cemitério diz que o procedimento é normal.
“Os ossos são retirados. O que sobra se decompõe e desaparece na terra”, diz Silva.
Vala custa R$ 34 e vence em 3 anos
Administrado pela Coderp (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Ribeirão Preto), o Bom Pastor, que tem a concepção de um cemitério-parque, realiza sepultamentos em jazigos e em valas comuns.
Os jazigos perpétuos, com quatro gavetas, custam R$ 1.970 (o valor pode ser parcelado em até dez vezes). No caso da vala comum, a taxa é de R$ 34 (paga pela funerária). Nas valas comuns, após três anos, os restos mortais são exumados, para dar lugar a outro sepultamento.
As famílias têm a opção de adquirir gavetas individuais (R$ 82), para a transferência dos ossos. Caso contrário, eles vão para o ossário geral do cemitério.
Histórico
Localizado na avenida das Lágrimas, s/n°, no Jardim Zara, zona leste de Ribeirão Preto, o cemitério Bom Pastor foi inaugurado em 1974. Desde sua inauguração, o Bom Pastor foi palco de 50.682 sepultamentos.