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Caderno C

Quinta-Feira, 27 de Março 2008 - 23h0

Moradores atuam em peça dos Satyros na periferia de Curitiba

DIVULGAÇÃO Moradores atuam em peça dos Satyros na periferia de Curitiba MOBILIZAÇÃO O ator Ivam Cabral, do grupo Os Satyros, lê o manifesto durante evento em Curitiba

A novidade mais comentada do Festival de Curitiba é o espetáculo auto-teatral “A Fauna”, dentro do projeto Residência das Artes. Nessa nova empreitada do festival, um importante grupo teatral é convidado para desenvolver, um mês antes do início do evento, um processo de criação artística na cidade.
A companhia Os Satyros, de São Paulo, inaugura o projeto, optando pela comunidade de Vila Verde, na periferia da capital paranaense, para desenvolver a intervenção.
- Os moradores dessa comunidade se transformam em atores, contando suas próprias histórias para o público, disse Rodolfo Gárcia Vázques, diretor e fundador do grupo.
Um microônibus leva o público até a periferia. Um video sobre os moradores e suas histórias deixa o público em silêncio, atento às histórias reais dos atores-moradores que participam da apresentação.
Chegando à Vila Verde, o público é convidado a adentrar em um auditório, anexo de uma escola. O ator e também fundador do Satyros, Ivam Cabral, apresenta a comunidade. Jessé do Rosário, um dos líderes comunitários, passa a conduzir o público por um megafone.
A apresentação continua dentro da escola, passando em seguida pelas ruas, dentro das casas, bares, uma cooperativa de costureiras, terminando em uma praça da comunidade.
Alguns atores do grupo também fazem parte da Fauna.
- Dar luz a esses moradores, as suas ruas, as suas casas, mostra o quanto eles são tão humanos às outras pessoas, que vêem esses moradores como uma fauna a parte da cidade, esclarece o diretor da companhia sobre o nome do espetáculo.
Histórias trágicas e engraçadas povoam o imaginário desse teatro-documentário. Cantores de músicas sertanejas e uma filósofa da Vila Verde lendo Nietzsche, ocorre enquanto o público se desloca pelo bairro. Um menino vendendo celular a R$ 5, uma mulher procurando seu filho desaparecido, contorno de pessoas mortas no chão, um funk dançado em cima de uma igreja, a moradora mais antiga do bairro cantando cantigas no portão de sua cobiçada casa, uma menina de 17 anos grávida narrando sua futura vida de mãe depois de um abordo aos 15 anos e um rap, como um grito de liberdade contra o crack, foram umas das histórias, críticas e reflexões, que Os Satyros trouxeram à tona, extraindo do complexo universo dessa comunidade.
- O projeto vai continuar. Isso não estava previsto. A repercussão foi tão grande, que as pessoas estão se movimentando para o projeto continuar, disse orgulhoso Ivam Cabral.

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