Vicente Golfeto
Quinta-Feira, 27 de Março 2008 - 23h10 Victor Hugo nos diz: “entre um governo corrupto e uma sociedade que consente existe, pelo menos, uma cumplicidade vergonhosa”. Ditaduras perduram porque o povo se omite. Quando não aplaude. “O povo gosta de governos ásperos”, dizia o presidente Jânio Quadros.
Vamos a dois exemplos. Falamos muito de corrupção no setor estatal. Políticos, funcionários – como corruptos – de um lado e empresas e pessoas físicas, como corruptores, de outro lado, formam os dois pólos do que se pode denominar de comportamento anti-ético. Ou de corrupção, tanto do lado ativo como do lado passivo.
Quem ainda não recebeu do garçom – em um restaurante – a pergunta “de quanto”, quando solicita uma nota fiscal, depois de ter sido servido?
A pergunta, comum, já é uma acusação. A nota servirá para o consumidor ganhar por fora alguma coisa.
Outro exemplo: quem desperdiça mais água? Estamos nos referindo ao desperdício que ocorre entre a captação nos mananciais e a entrega ao consumidor e o desperdício do próprio consumidor.
O desperdício de água entre a captação e a entrega é sobretudo verificado na rede, não raro mal conservada. A responsabilidade é do setor estatal. Mas será que este desperdício é menor do que o do consumidor – que gasta muito mais água do que o necessário – quando nos afronta, ao varrer a calçada com esguicho? Ou lavando o carro de maneira perdulária?
Não há muita diferença entre o desperdício de um e de outro. De maneira que se pode dizer que um é reflexo do outro.
O mesmo paralelo que se pode fazer entre governante e governado, entre representante e representado, entre eleito e eleitor.
Que tal primeiro tentarmos – via educação – melhorar a sociedade para, depois, pensarmos em ter melhores governos.
Isto apesar de pensarmos sempre no que dizia o primeiro ministro Santiago Dantas. “O povo brasileiro é melhor do que suas elites”. Mas melhor mesmo, em que?