Júlio Chiavenato
Quinta-Feira, 27 de Março 2008 - 23h11 José Pinho de Oliveira, ontem em A Cidade, denunciou o insatisfatório serviço de transportes coletivos em Ribeirão Preto. Entre suas principais críticas destacam-se o anacronismo dos veículos, a impontualidade e o descaso, quase desprezo, pelos deficientes físicos.
Quando várias empresas passaram a explorar os transportes coletivos, esperava-se que com a concorrência o sistema melhorasse. Não melhorou. Só houve progresso com a criação da Transerp, que nos primeiros anos implantou um sistema que se tornou referência nacional. Além de introduzir os trolebus, traçou novas linhas, determinou pontos e horários racionais, cumpridos enquanto a Transerp não sofreu a interferência da politicanalha, que enfraqueceu sua excelência técnica e sujeita-a aos interesses privados, em prejuízo da população.
O trabalho inicial da Transerp foi tão bem feito que se demorou vários anos para ser completamente deturpado. O que ainda resta de bom é fruto daquele esforço pioneiro. Não custa lembrar que até há poucos anos as linhas urbanas que servem a Vila Virgínia tinham ônibus com ar-condicionado, poltronas estofadas e intervalo de no máximo 15 minutos. Eles desapareceram, substituídos por veículos com características inferiores.
As linhas dos bairros mais pobres são servidas por carroções obsoletos, o que não impede as concessionárias de proclamarem que colocam ônibus novos em serviço. São “novos”, mas bem antigos, trambolhos inadequados para o tráfego em ruas estreitas e congestionadas como as de Ribeirão Preto.
O pior porém, é o descaso da administração pública que só se manifesta sobre o problema no joguinho combinado anualmente para aumentar o preço das passagens. O preço aumenta, o serviço diminui.