Hamilton de Andrade Lemos
Quinta-Feira, 27 de Março 2008 - 23h11 Chegou a sexta-feira e você já está se sentindo no fim de semana. Hora de jogar o cansaço na cama e dormir até acordar. Mas, a menos que você seja um deficiente auditivo, o popular surdo, terá problemas.
Digo isso porque, desde que cheguei nesta cidade, há uns 20 anos, o barulho aumentou acima de todas as outras poluições. É antes uma percepção do que uma estatística.
Numa escala de aborrecimento, os carros de som merecem um lugar de destaque. Embora eventuais, são chatos como malabaristas de semáforo. Analise melhor a questão: um sujeito pega um carro velho, instala uma parafernália eletrônica tão potente quanto fanhosa e sai pelas ruas invadindo ouvidos alheios com mensagens altamente dispensáveis. É oferta de supermercado, inauguração de loja de bairro e até cachorro perdido. Mas tem pior! O trenzinho infantil é seu aumentativo e o trio elétrico um superlativo.
Subindo a escala temos os bares com show ao vivo. Se você está lá dentro, tomando todas e curtindo, está tudo bem, embora perca metade da conversa por conta do barulho. A outra metade você esquece, por conta das biritas mesmo. Agora, se você for vizinho de um destes comércios, meu amigo, melhor passar o fim de semana fora.
Mas estes barulhos se tornam ruídos insignificantes perto do maior flagelo auditivo dos tempos modernos: a motocicleta com escapamento aberto. Chega a ser humilhante o sofrimento imposto por estas porcarias, quando passam ao seu lado, anunciando as três bestas do apocalipse. Sim, eram quatro, mas uma já está pilotando a máquina em questão.
Ah, se tivesse alguma lei contra barulho, destas que funcionam...