Geral
Sexta-Feira, 28 de Março 2008 - 0h1
ASSASSINO CONFESSO Aurelito Borges Santiago depõe na Delegacia de Investigações Gerais (DIG)
Dois meses depois da morte do filho Rodrigo, Fernando Bonilha falou ontem com a reportagem do jornal A Cidade sobre seu sofrimento e a revolta pelo assassino continuar foragido.
“Uma saudade louca de um menino tão bonzinho, que nunca deu trabalho, e dias depois dele morrer ainda nos deu um presente, porque passou no vestibular da USP”.
Rodrigo Bonilha, de 18 anos, foi morto no dia 27 de janeiro por um segurança do bufê Renato Aguiar. Aurelito Borges Santiago prestou depoimento à polícia dois dias após o crime. Quando sua prisão preventiva foi decretada, ele fugiu.
Para Bonilha, a polícia foi lenta quando não prendeu Borges e continua lenta ao deixá-lo foragido. “Parece que nada aconteceu e eu fico perplexo com isto”, disse.
O pai afirmou que a família vive um imenso vazio, mas precisa prosseguir com a vida. “Eu, minha mulher e nossa filha recebemos reforço de Deus para agüentar o dia-a-dia”, disse.
Segundo ele, a morte de Rodrigo deveria servir de alerta. “Não podemos ficar em casa trancados enquanto seguranças despreparados andam armados e sem autorização. Todos os dias, recebo relatos de pessoas que foram espancadas por pessoas assim e ninguém faz nada”, disse.
Bonilha pede que as famílias de Ribeirão se unam para cobrar do Poder Público mais segurança. “Temos que criar nossos filhos para um mundo melhor e não apenas aumentar o muro de nossas casas. Não podemos deixar que outros jovens morram assim”.
Sem porte, segurança usava arma ilegal
O estudante Rodrigo Bonilha voltava de uma festa com quatro amigos no dia 27 de janeiro, quando levou um tiro nas costas, na rua João Godoy, que fica próxima ao bufê Renato Aguiar.
Dois dias após o crime, o segurança Aurelito Borges Santiago confessou que havia atirado porque o garoto teria tentado arrombar um caminhão da empresa.
Santiago não tinha porte de arma e o revólver usado no crime estava com a numeração raspada. Ele fugiu dias depois do depoimento, quando soube que a prisão preventiva dele havia sido decretada.
O advogado do segurança, José Ricardo Guimarães Filho, pretende entrar com um pedido de habeas corpus.
“A família passa por dificuldades financeiras. A esposa dele trabalha como vendedora em uma loja de bairro e ganha pouco. Eles têm uma menina de 14 anos com problemas mentais e ela quer que o marido se entregue à polícia”, disse.