Caderno C
Sexta-Feira, 28 de Março 2008 - 21h52
MANUEL CHAPARRO Jornalista português está no Brasil desde os anos 60
Houve uma época em que o jornalista brasileiro vivia exclusivamente de privilégios. Conseguia vários empregos públicos, não pagava imposto de renda e viajava de graça para onde bem entendesse.
- O jornalismo brasileiro carrega uma herança de corrupção e favores políticos, conta o jornalista e professor Manuel Chaparro que lembra ainda que o primeiro jornal tupiniquim, o Correio Braziliense, já era bancado pelo rei D. João 6º.
Chaparro não é nem um pouco saudosista. Para ele, o jornalismo melhorou em todos os aspectos.
- Muita gente lembra com saudades da revista Cruzeiro, que na verdade fazia matérias vendidas que enganavam os leitores, ressalta.
O jornalista participou ontem de um Café Filosófico em mais uma edição do projeto “Encontro com os Livros”, que faz parte da programação da 8ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto.
Para grande parte dos leitores paulistas e mesmo entre estudantes e jornalistas, o português Chaparro é um ilustre desconhecido. Mas tem no currículo quatro prêmios Esso de Jornalismo que recebeu ainda na década de 60 quando vivia no Nordeste.
O mais surpreendente é que três destes prêmios, Chaparro ganhou quando comandava um semanário palpérrimo em Natal, no Rio Grande do Norte, chamado “A Ordem”. O jornal, pertencente à igreja católica, não dispunha mais do que cinco mil exemplares e dois repórteres.
- Tive o privilégio de trabalhar no Nordeste porque aprendi sobre o Brasil pela ótica do nordestino.
Salazar
O jornalista, que deixou Lisboa no início dos anos 60 por causa da ditadura do governo Salazar, percorreu o interior e o litoral nordestino para mostrar uma região dominada pela pobreza, exploração e corrupção endêmica.
- O nordeste é a síntese do Brasil, com sua riqueza natural e grandes contradições sociais, explica.
Em Recife, ainda trabalhou na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) até mudar-se para o “Sul Maravilha”, onde trabalhou num grande jornal da capital. O resto é história.
Em 1979 ingressou no curso de Jornalismo da ECA/USP, graduando-se em 1982. Tornou-se professor da ECA onde dá aulas até hoje. Em 1999 lançou o livro “Sotaques d’aquém e d’além mar”.
Ontem, sob o tema “Os rumos do Jornalismo”, o professor recorreu ao passado para falar sobre o futuro do chamado quarto poder.
- Hoje vivemos num mundo onde as coisas só acontecem quando são noticiadas, filosofa.
DA REPORTAGEM