Caderno C
Sexta-Feira, 28 de Março 2008 - 22h13
BILLY BOND Sucesso com musicais como “O Mágico de Oz”, em cartaz em Ribeirão
Como é que um roqueiro argentino se transforma no Rei Midas dos musicais brasileiros? Para o italiano/portenho/brazuca Juliano Canterini, ou melhor, Billy Bond, a resposta é fácil.
- Não sou apenas um roqueiro, mas acima de tudo músico e um homem de mídia. Pra mim o musical se tornou algo muito mais interessante de se fazer, garante o músico e produtor.
Bond, diretor do espetáculo “O Mágico de Oz”, em cartaz no Pedro II, foi uma figurinha carimbada no rock dos anos 60 e 70 na Argentina e no Brasil.
Mas antes de aportar aqui, Billy teve uma carreira prolífica em Buenos Aires nos anos 60. Lá, liderou o grupo Billy Bond y La Pesada, com quem gravou quatro discos, entre 1971 e 1973. Além disso, foi um dos fundadores e donos do clube La Cueva, por onde passou a maioria dos grupos de rock dos anos sessenta. Bond começou a carreira com trabalho solo, quando lançou diversos singles e dois LPs – ‘Yo, Billy Bond’ (1968) e ‘Las Dos Caras de Billy Bond’ (1969).
- Além disso, produzi quatro discos do Charlie Garcia (espécie de Raul Seixas portenho) e um do Astor Piazzola, conta.
Joelho de Porco
No Brasil, também gravou e produziu vários discos, participou da formação original do lendário Joelho de Porco e promoveu shows que marcaram época no país, entre eles o do Queen em 1982, no Morumbi, que bateu recordes de público.
- Trabalhei também com o Roberto Medina, durante o primeiro Rock In Rio, informa, com seu sotaque característico.
Nos anos 80, dirigiu clipes de várias bandas do novo rock nacional e produziu shows de artistas consagrados como Ney Matogrosso. E foi nesta época que dirigiu seu primeiro musical: “Aí Vem o Dilúvio”.
Mas Bond só retornaria aos musicais em 2000 com a superprodução “Os Miseráveis”, sucesso da Broadway adaptada para os palcos paulistas.
- Na estréia, vendi 40 ingressos, mas logo depois se tornou um sucesso de público, recorda.
Sucessos
Em seguida, Bond emplacou um sucesso atrás do outro como Rei Leão, A Bela e a Fera, Pinóquio e este O Mágico de Oz. São espetáculos vendidos como uma espécie de franquia da Broadway para todo o mundo.
- Os musicais se tornaram um sucesso no país, porque o cidadão não precisava mais ir para Nova Iorque e pagar 150 dólares para ver um espetáculo de qualidade, explica.
O produtor e diretor diz que “O Mágico de Oz” é um espetáculo híbrido inspirado no filme com Judy Garland, no livro de Lyman Frank Baum e no musical dos palcos norte-americanos.
Bond garante que quase um 1,4 milhão de pessoas já assistiram ao espetáculo no Brasil e em países como Chile, Argentina e Peru. Isto graças à idéia do diretor de fazer uma turnê com o musical, algo inimaginável tempos atrás, por causa dos altos custos.
Aventureiro
A cada cidade que “O Mágico de Oz” se apresenta, traz 180 figurinos, oito toneladas de luz e equipamentos, vários cenários e 200 profissionais.
- Só um louco mesmo pra fazer isso. Mas sou roqueiro e aventureiro. Gosto deste desafio porque senão a vida fica muito chata, argumenta.
Para um futuro próximo o diretor/produtor promete fazer o caminho inverso. Quer criar um musical baseado em histórias brasileiras para apresentar na Gringolândia. E Bond sonha alto: quer estrear em Nova York. O nome do espetáculo ele não diz nem sob tortura.
- Você acha que vou falar. Vocês jornalistas são todos uns fofoqueiros, diverte-se.
Serviço
O Mágico de Oz
Hoje às 16h e 21h e amanhã às 16h e 19h no Theatro Pedro II. Ingressos a
R$ 80, R$ 70 e R$ 60.
Inf.: (16) 3977-8111