Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Sexta-Feira, 28 de Março 2008 - 23h9

A pátria dos inocentes


Quando os políticos se acusam todos têm razão. Além do mais a lógica deles é diferente. Se um rouba e outro também, concluem que os dois são inocentes. A banalização do crime é prova de inocência. Acontece diariamente no Brasil, exemplificado pelos maiores partidos, o que não significa que os nanicos não entrem no jogo. Pelo contrário, às vezes eles decidem a parada.
O caso dos cartões corporativos é sintomático. Os magnatas e associados ao PT, com Lula e seus parentes, foram acusados de gastos ilegais com o dinheiro do povo, utilizando os tais cartões corporativos. Não negaram: disseram que é assim mesmo. Para provar sua inocência acusaram o pessoal do PSDB de fazer o mesmo, com Fernando Henrique e Ruth Cardoso à frente.
A turma do PSDB não negou o crime confesso e que todos conhecemos. Defendeu-se dizendo que tudo não passa de chantagem, para anular a denúncia que eles fizeram primeiro. Acusam a principal assessora da ministra Dilma Rousseff de ter feito a investigação que divulgou os gastos nos tempos de FHC.
Por coincidência a ministra Dilma Roussef é a estrela da vez no PT, provável candidata à sucessão presidencial. Ela diz que não tem nada com isso. A amiga assessora diz que fez o serviço por conta própria. No fim, se juntarmos tudo e batermos no liquidificador da sem-vergonhice brasileira, a meleca fica empatada. Todos têm razão: todos meteram a mão na grana e como a maracutaia é geral, todos se julgam inocentes.
Por essas e por outras, principalmente por outras que não sabemos, vamos pagar a conta e não bufar. Assim caminha a humanidade, diria um cínico. Já os políticos, que à hipocrisia juntam o exercício do cinismo, explicariam tranqüilamente: não é bem assim, veja bem...

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