Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Sabado, 29 de Março 2008 - 16h47

Costura necessária


São duas as lógicas que pautam a construção dos grandes blocos econômicos. Wittgenstein diz-nos que “na lógica não há surpresa”. A primeira é a obtenção de mais elevados pontos de economia de escala. O princípio é o seguinte: quanto mais se produz, mais barato fica. A união de mercados – que sepulta o conceito político de nações – tem uma meta clara. A segunda pode ser assim resumida: todas as nações buscam três formas de autonomia. São elas: a energética, a alimentar e a militar.
Fiquemos com a realidade energética da América do Sul apenas. O continente vive atualmente uma situação paradoxal: somadas as reservas de petróleo, potencial hidroelétrico, biocombustíveis, energia solar e energia eólica, a região deve concentrar a maior reserva energética do mundo. No entanto, quase todos os países estão ameaçados pela crise. Claro que falta integração, tanto política quanto econômica..
Integrar é tornar inteiro. E inteiro porque atualmente está tudo – ou praticamente tudo – despedaçado. Os pedaços são demarcados pelas fronteiras políticas, que separam os países que o mercado pretende unir. E unir pelas causas acima.
A Economia une enquanto a Política separa.
Por interesse econômico, é necessário fazer-se uma costura de ordem política. Em todo continente sul americano – e até nas três Américas, como era proposito da Alca – unificando os objetivos de todos, contabilizados a partir dos ganhos.
Afinal, negócio é bom e duradouro quando todos ganham. E, se possível, até em partes relativamente iguais.
No desdobramento da segunda lógica, o Brasil caminha no sentido da auto-suficiência de energia mas também busca relativa autonomia militar. Que lhe garanta a soberania e suas riquezas. Forças Armadas equipadas é bom tê-las para não precisar de usá-las. Mais ou menos como o postulado de Lyontai: “exibir a arma para não ter que utilizá-la”.

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