Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Sabado, 29 de Março 2008 - 16h48

Salários dos professores


Há um mês, baseados em pesquisas do IBGE e da Fundação Getúlio Vargas, os jornais noticiaram que ao contrário do que se pensa, os professores da rede pública ganham bem e tiveram aumentos salariais acima de outras categorias. Ledo engano: analisando-se essas pesquisas verifica-se como os números foram manipulados ou entendidos pela distorcida ótica governista.
A notícia pretendia anular a “tese” de que uma das razões da baixa qualidade do ensino público são os baixos salários dos mestres. Tentou-se convencer que eles ganham bem, portanto, o Estado eximia-se de culpa pelo fracasso educacional. Se ganham bem, recebem aumentos superiores à inflação e maiores que os outros trabalhadores, a má qualidade do ensino é culpa deles, deduzia-se da manipulação dos fatos.
O que se “esqueceu”: tais pesquisas computaram salários e gratificações em todos os estados, somando-os aos salários reais pagos no Distrito Federal, onde o professor recebe R$ 3.371,00 por 40 horas de trabalho, e “tiraram” uma média nacional fictícia, completamente em desacordo com a realidade brasileira.
Não se separou também, o que realmente é salário daquilo que o professor recebe como gratificação, para completar seu irrisório ganho, o que é uma política criminosa do Estado, pois se livra de aumentar o salário real. E as gratificações, que podem ser retiradas a qualquer momento, não são consideradas para efeito de aposentadoria. Ou seja, o professor está condenado à miséria quando se aposentar.
Os professores do ensino fundamental e médio recebem os piores salários entre os profissionais qualificados. O governo é um grande mestre na arte da exploração do trabalho. E certo tipo de jornalismo é burro ou faz o jogo do poder.

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