Hamilton de Andrade Lemos
Sabado, 29 de Março 2008 - 16h48 Na verdade, há vagas sobrando nas mais diversas empresas, de todos os setores da economia. Desempregados também têm aos montes. Por que os dois fatos não se justapõem é justamente o problema: nossa mão-de-obra é uma porcaria. Não atende aos requisitos mínimos da função.
Entre estes requisitos, está o de saber ler, escrever e, fundamental, entender o que está escrito. Pode parecer pouco para você que forma uma minoria com hábito de leitura, mas esta garotada que vem aí está entre a mais despreparada do mundo. Com o sucateamento do ensino público a partir da subida dos militares, em 64, mais a dissolução dos valores, crescente a cada geração, passamos a produzir cidadãos cada vez mais inaptos e alienados.
Se o efeito era conveniente a uma ditadura, no passado, hoje é a economia quem está sofrendo suas conseqüências. E a economia, meu caro, não é representada somente pelo lucro das empresas, mas também pelo meu e pelo seu bolso.
Sem preparo, nossos jovens não chegam ao mercado de trabalho, sem salário não consomem e sem consumo formam um excedente social dependente do assistencialismo oficial. E quem paga esta conta? Eu e você, com nossos impostos.
A indústria e o comércio, que sempre mantiveram serviços sociais e profissionalizantes, embora insuficientes, agora terão que abrir a carteira de verdade e socorrer com milhares de escolas técnicas, se quiserem garantir profissionais competentes para a demanda atual. O futuro do país do futuro, enfim, chegou. Mas, por uma grande ironia, não há quem possa levá-lo adiante. Fizemos tanto esforço para criar vagas de trabalho que esquecemos de formar quem as preencha.