Vicente Golfeto
Segunda-Feira, 31 de Março 2008 - 22h33 Quando ainda trabalhava para a concretização do que veio a ser a revolução russa de 1917, Wladimir Lenin dizia: “dê-me a cátedra, a tribuna e o púlpito. E eu farei a revolução”. Desejava os meios de comunicação que ele ainda não tinha. Porque, por meio do jornal A Iskra – A Centelha – ele já expunha suas opiniões a respeito dos seus ideais. No início do século 20 não existiam rádio, televisão e internet.
Dos três – cátedra, tribuna e púlpito – na Rússia ainda hoje ortodoxa, o mais forte era, sem dúvida, o púlpito. Que, em todos os credos e em quase todos os tempos, sempre foi poderoso instrumento de afirmação política. E – por que não? – eleitoral.
Em alguns países – muitos, até, para sermos mais preciso – o púlpito ainda tem força. E nem estamos nos referindo aos países islâmicos onde há, ainda na atualidade, estados teocráticos. São os casos da Arábia Saudita e do Irã. Estamos falando de países cristãos. Num contraste marcante com os Estados Unidos, a religião não desempenha nenhum papel na vida política britânica. A recente conversão de Tony Blair – ex-primeiro ministro britânico – ao catolicismo, não alterou em nada a realidade eleitoral da Grã-Bretanha. E, especificamente, da Inglaterra.
A notícia – que contamos – nos faz vir à mente o binômio religião e Estado. A partir da república de 1889, também o Brasil separou os negócios do Estado das atribuições da Igreja.
Começava a caminhada do nosso País rumo a uma república e a uma democracia que ainda não foram atingidas.
Nos Estados Unidos – onde não houve separação porque nunca o Estado e a Igreja estiveram unidos – a religião ainda tem força muito acentuada. A eleição do presidente George W. Bush é prova do que falamos.
Fiquemos no Brasil. O que você acha de o país ser dirigido a partir de um canjerê? E por um pai de santo, talvez um babalorixá? Ou um pastor evangélico? Ou um padre católico?