Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Terça-Feira, 1 de Abril 2008 - 23h12

Jovens e velhos


Os mais velhos – que se esquecem de que já foram jovens – costumam dizer que: 1- “juventude tem cura. É só esperar”; 2- “juventude é um defeito que se corrige com o tempo”. Ouvi isto durante toda minha vida. E continuo ouvindo. Por mais incrível que possa parecer, sobretudo daqueles que – quando moços – foram os mais revolucionários.
Sempre me impressionou um fato: na língua portuguesa, moço não vira moçaco. Nem existe esta palavra. Mas velho pode virar velhaco. Vocês já ouviram: incendiários na juventude são sempre bombeiros na maturidade.
Pois bem, por incrível que possa parecer, quem liderou, na Venezuela do presidente Hugo Chávez Frias, a derrota eleitoral – em plebiscito – do atual chefe do Executivo daquele país, foi a juventude estudantil, que nocauteou o chefe da nação e todo seu governo. Com discussão de idéias, temperadas com o ardor do idealismo.
Mais do que derrotar Chávez, que pretendia reeleger-se sistematicamente sem limite de mandatos, o que os estudantes da Venezuela demostraram é que, atuando no presente, forjaram lideranças para o futuro. E – em nosso entendimento – o maior problema do Brasil da atualidade é a falta de entusiasmo de sua juventude, principalmente estudantil, com assuntos políticos.
A coragem política do grupo de estudantes da Venezuela impõe-nos uma comparação. Que é francamente desfavorável para nós e para nosso país.
Mais: esta mesma coragem, demonstrada através da recusa em aceitar um projeto com cara totalitária, anima vários setores da sociedade da Venezuela a dizer um basta.
E não somente da Venezuela mas – diga-se a verdade – de toda América Latina, Brasil incluído, que já pretendia palmilhar esta vereda.
Não há oposição sem juventude. Mas oposição, não governo. Como dizia o ex-prefeito municipal de Ribeirão Preto, dr. Rubens Aloysio Moreira, “os jovens devem assumir o poder. Mas, quando ficarem velhos.”

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