Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Terça-Feira, 1 de Abril 2008 - 23h13

O povo da praça


Os mais velhos sabem que há 40 anos seria impossível lixo, lama, bueiros destampados e entulho se acumularem na Praça XV. Há 40 ou 50 anos, jamais se conceberia os canteiros do jardim pisoteados, sem flores, os bancos sujos e quebrados. Seria um escândalo e o prefeito da época execrado.
Porém nos últimos tempos, desde que os prefeitos se alternam com Welson Gasparini, cada um consegue ser menos capaz de, sequer, limpar ou coletar o lixo na Praça XV, teoricamente o coração da cidade. Teoricamente, porque hoje é um pátio dos milagres, povoado pelos “novos pobres”, que saíram da toca e fazem a festa consumista.
Calma, companheirada, não é preconceito. É a realidade: desde que o povo teve o poder de compra aumentado e a possibilidade de ter uma televisão de tela plana ou um carro usado, as exigências são menores. Como o “centro” de verdade deslocou-se até se entrincheirar nos shoppings, não é preciso maior cuidado para as áreas freqüentadas por aqueles que, até ontem, não saíam da toca.
Hoje, a mistura das “classes” C, D, E e até a F (de favelado), contenta-se com um pastel de vento e uma ceva geladinha, que custam pouco nos botecos dos chineses. A felicidade das massas nunca custou tão pouco para as elites endinheiradas. Se antigamente a Praça XV dividia-se em guetos sociais (dos pretos e dos brancos, dos ricos e dos remediados) hoje foi tomada pela pobreza. E o poder público responde com o desprezo por aqueles que não tiveram acesso a um mínimo de educação formal e não possuem um tico de consciência cidadã.
Não vai dar outra: Gasparini no quinto ou sexto mandato; talvez a Dárcy Vera, distribuindo sopa pra galera que, ainda, não teve acesso à pobreza privilegiada da Praça XV.

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