Vicente Golfeto
Quarta-Feira, 2 de Abril 2008 - 23h40 Harold Macmillan, primeiro ministro da rainha Elizabeth II nos anos 60 do século passado, era brutalmente sincero ao dizer, sem freios, que “quando as pessoas quiserem uma orientação moral elas devem procurar seus bispos. E não os políticos”.
Para ele – como para muitos líderes políticos do passado e da atualidade – Política e Moral não têm nada em comum. Muito antes, no ano 44 da era cristã, o senador romano Marcus Tulius Cicero já havia dito que “política é a escola do crime”.
Portanto, somente se escandaliza com o que vêem, no Brasil e fora de nosso país, com o encaminhamento da realidade política, aquele que desconhece a História dos povos. O que pode ocorrer de novidade merece dois ângulos de observação para ser entendido.
O primeiro é que as duas alavancas que movem o homem são o medo e o interesse. O interesse acelera as ações enquanto o medo as freia. O que freia é a certeza da punição. Quando aumenta a punição, evidentemente diminui a tendência à criminalidade. Não porque o ser humano tenha melhorado. Longe disso. Mas porque ele passou a ter medo de cair nas garras da lei.
Outro ângulo de observação – o segundo – é que o crime não pode compensar. Economistas introduziram na teoria criminal o estudo do binômio custo-benefício.
O marginal analisa este binômio. Se valer a pena, se compensar, claro que o sinal fica verde para a infração à lei.
Até os menos inteligentes chegam a esta conclusão. Os mais inteligentes intuem e se afastam se o custo for muito maior do que o benefício.
Mas o ser humano costuma mirar-se nos seus políticos. A conduta destes influencia bastante o comportamento das pessoas. Foi exatamente por isto que o líder britânico acima relacionado jogou a batata para os dirigentes dos cultos religiosos.
Estaremos servidos mais decentemente por nossos pastores ou por nossos políticos?
Ouçamos, por sugestão em primeiro lugar, um pai de Santo.