Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Quarta-Feira, 2 de Abril 2008 - 23h40

Herança maldita


A partir de 1964 a ditadura militar impôs a “doutrina de segurança nacional”, cultivada na Escola Superior de Guerra. Aplicou os conceitos de “fronteiras vivas” e sem uma guerra externa disponível inventou o inimigo interno. Tratou os dissidentes como “inimigos da pátria”, com a brutalidade conhecida. “Ocupou” as fronteiras como se nossos vizinhos nos ameaçassem. As vítimas dessa última política foram o Paraguai e a Bolívia.
Tal estupidez, apoiada pelos Estados Unidos, às voltas com a guerra fria e temendo um Vietnã sul-americano, inflou o ego dos militares.
Forjaram o milagre econômico, cuja conta pagamos até hoje e garantiu a sobrevida da ditadura, com repressão cruel no governo Médici, nos “anos de chumbo”.
Milhares de camponeses brasileiros ocuparam terras no Paraguai, alguns expulsos do campo e outros claramente incentivados pelo governo militar. Numa faixa de dezenas de quilômetros pelo interior do Paraguai as terras são “posse” dos brasileiros. Mais barato e eficiente que uma guerra.
Ao lado disso, a corrupta ditadura paraguaia do general Stroessner (que só se manteve no poder enquanto a ditadura brasileira precisou dele), assinou um tratado com o Brasil, para vender a energia excedente de Itaipu a preço de custo.
Resultado: a invasão brasiguaia e o seqüestro da maior riqueza do Paraguai (a energia elétrica) travam as potencialidades de desenvolvimento paraguaio.
Se Fernando Lugo, que se encontra com Lula hoje, for eleito presidente, vai rever as relações com o Brasil.
Porém Lula “bancou” a candidatura do general Oviedo, bastardo do stroeinismo, suspeito de assassinato e lavagem de dinheiro, que se apresenta impudicamente aos eleitores como “embaixador” do Brasil.

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