Hamilton de Andrade Lemos
Quarta-Feira, 2 de Abril 2008 - 23h40 A vida imita a arte. No caso da novela, a afirmação ganha veracidade flagrante. Há muito o povo se espelha nos folhetins diários da televisão, reproduzindo comportamentos, imitando termos, assimilando estilos e, mais importante, questionando os próprios valores.
Lembro muito bem dos laços no cabelo da viúva Porcina, personagem de Regina Duarte em Roque Santeiro. Virou fenômeno imediato na moda do dia-a-dia, aquela realmente usada, por mulheres de todas as idades, de mamando a caducando.
Considero a novela moderna, assim com a propaganda, uma cafetina das artes. No que tange à música, a novela não só divulga como a situa, conjugando melodia e letra a uma situação verossímil. É a música romântica, por exemplo, provocando suspiros apaixonados na mocinha que vê o beijo dos protagonistas.
Na vida real não tem música. Na novela tem trilha para acompanhar cada emoção. E este é somente um dos componentes que fazem da novela um universo paralelo. É como o nosso mundo, só que melhorado.
Talvez por ser este espelho mais brilhante, a novela tem um grande potencial educativo. E aqui, faço uma divisão entre a educação e a informação. Embora os temas polêmicos sejam inseridos a conta-gotas, visto que o exagero pode ter conseqüências graves na audiência, e esta última é responsável pelo faturamento dos canais abertos, estes temas vão familiarizando o telespectador.
Neste conjunto temos o beijo gay, o namoro entre adolescentes lésbicas, o casamento a três, o divórcio e tantos outros tabus a serem assimilados e compreendidos, através da catarse.
É assim que a novela contribui para um novo capítulo na sociedade.