Boa Mesa
Quinta-Feira, 3 de Abril 2008 - 23h7
SOFISTICAÇÃO Restaurantes também apostam nas esfihas abertas para atrair o paladar dos clientes
Elas podem ser saboreadas individualmente, como um simples petisco, ou podem ser servidas em quantidades abundantes a ponto de substituir uma refeição inteira de forma rápida e econômica. São as esfihas abertas, que têm lotado casas especializadas e deixado recheados os negócios para os empresários da gastronomia em Ribeirão Preto.
Não é à toa que uma das principais redes de pizzarias de Ribeirão decidiu abraçar a comercialização de esfiha aberta também. Primeiro a rede Cascata implantou sua primeira casa especializada em esfihas na região central da cidade, que completou um ano esta semana. Depois a esfiha aberta passou a ser comercializada por uma das pizzarias da rede no Ipiranga. De acordo com a subgerente da marca em Ribeirão, Franceline Ribeiro Israel, a meta do grupo agora é ampliar a venda de esfihas para todas as suas unidades. Segundo ela, tanto a pizza quanto a esfiha são produtos muito fortes no mercado e que têm aceitação significativa. Franceline diz que, dentre as cidades onde existe a rede, como São José do Rio Preto e Bauru, Ribeirão Preto é a primeira a aderir à esfiha aberta lado a lado com as pizzas.
De acordo com Franceline, a massa da esfiha servida pela casa veio de uma derivação da massa de pizza amplamente testada até chegar ao seu atual ponto. Segundo ela, a esfiha é mais trabalhosa do que a pizza na hora da elaboração. A grande dificuldade está na padronização do tamanho.
Uma das primeiras redes a oferecer o produto em seu cardápio foi o Habib´s. De acordo com a assessoria de imprensa do grupo, em todo o Brasil, somente no ano passado, foram vendidas 680 milhões de esfihas.
Mais adesões
Conforme se consolida como um salgado mais leve e mais barato, a esfiha aberta começa a ganhar espaço também nas salgaderias da cidade. Há dois meses uma lanchonete no Centro da cidade decidiu fazer um teste de receptividade com seus clientes e produziu um cento de esfihas abertas em dia de jogo de futebol. Durante a partida, com a casa cheia, a lanchonete serviu os salgados como cortesia da casa.
- Foi um sucesso. Todo mundo queria mais, todos pediam. Naquele dia tive certeza de que deveria investir nisso, conta Edílson Lima Santos, proprietário da Lanchonete União.
Para por a mão na massa, Santos teve a ajuda de um irmão e de um amigo. Os dois, que já tiveram experiência em pizzarias, apresentaram a sugestão empolgados. A massa da primeira rodada de esfihas foi feita pelo próprio irmão de Santos.
O dono da lanchonete confirma que ainda não fez uma ampla divulgação do salgado, mas conta que vem oferecendo a opção para seus clientes. Aos poucos os pedidos vão surgindo. Quem conhece a casa logo já começa a criar o hábito de pedir as esfihas.
Na opinião de Santos, o preço, o sabor e a praticidade das esfihas abertas são os maiores atrativos do salgado. Para quem produz, ele diz que basta pegar o jeito de trabalhar a massa, para tornar o processo fácil.
Santos está tão empolgado com o salgado que comprou um grande forno rotativo no final do ano passado para iniciar sua nova aposta. A idéia era agilizar a produção das esfihas. Agora, o empresário já pensa em comprar uma estufa maior para ganhar espaço na hora de oferecer sua produção.
Tradição
Receita é segredo da família Aude
É como um segredo guardado a sete chaves que a empresária Fida Aude guarda a receita de família da esfiha aberta. O prato é servido no restaurante árabe Mabruk, que tem em sociedade com sua sobrinha Renata Jábali, mas as dicas são mantidas em sigilo.
Fida conta que trabalha com uma massa mais caseira do que a de outras casas especializadas e que o tamanho médio também é maior.
A empresária, que é de família árabe, conta que o prato não é um dos mas representativos dentro da cultura árabe. Ela cita que entre sírios e libaneses, por exemplo, a esfiha aberta não é considerada como um dos pratos básicos. Fida explica, no entanto, que no Brasil a esfiha se tornou uma das marcas registradas da culinária árabe mais bem aceita no país. Com isso, qualquer restaurante árabe no Brasil não pode deixar de incluir em seu cardápio a esfiha aberta.
- Nos países árabes, a esfiha é mais ou menos importante conforme a região. No Brasil, ela se consagrou como um dos principais pratos árabes. Hoje ela é consumida como qualquer outro salgado. É o prato mais vendido no meu restaurante, afirma Fida.