Júlio Chiavenato
Quinta-Feira, 3 de Abril 2008 - 23h30 Na última campanha eleitoral Welson Gasparini prometeu resolver o problema da Saúde em três meses. Quatro anos depois nada resolveu e a situação piorou. Na sua atual gestão bateu-se o recorde de mortes suspeitas. (Na quarta-feira uma paciente morreu após ser atendida na UBDS do Castelo Branco; a família suspeita do atendimento.)
Resumo da ópera: ele prometeu superar as deficiências da saúde pública em três meses, não resolveu e até piorou. O que o povo acha? Nada. Votará nele de novo. Porque o descaramento dos políticos é compatível com a estupidez popular. Ao prometer que resolveria o problema, todos sabiam que não era verdade. Mas fingiram acreditar, porque era uma desculpa para votar naquele que se identificava com a mediocridade conformista em que se encontra o povo.
Portanto, o jogo é esse: político mente e o povo aceita a mentira. O político não precisa cumprir o que prometeu, porque ninguém espera que suas promessas sejam sérias. Se for, será um choque. De Gasparini a Lula a diferença é apenas de grau e matéria prima, a substância política é a mesma: empulhação.
Por isso uma campanha política é difícil. Qualquer poste ganharia a eleição do atual prefeito se a preferência do eleitorado se conquistasse pela qualidade intrínseca de cada candidato. Mas não é assim, o eleitor prefere o que melhor mente e posa com mais eficiência de “gente boa”, de mais um medíocre “igual a nós”.
Ser o mais preparado, honesto e íntegro politicamente é um atrapalho no trabalho, como diria o Woody Allen. Vence o mais esperto, não o mais inteligente. Ganha o que melhor manipula sentimentos e emoções baratas, não quem propõe alternativas. A esperteza sabe que a mentira é o melhor atalho eleitoral.