Márcio Bernardes
Quinta-Feira, 3 de Abril 2008 - 23h58 (São Paulo) - O Corinthians fez o anti-marketing no último domingo. Depois da intensa campanha publicitária da Nike que lançaria a bonita camisa roxa, em campo o time enfrentou o Marília com a camisa branca.
Depois do jogo, feliz com a vitória, o presidente Andrés Sanches assumiu a responsabilidade da mudança repentina. Alegou que estava até preservando o produto da Nike. Ele acrescentou que se o Corinthians perdesse e consequentemente fosse eliminado do Paulistão ninguém compraria mais a camisa roxa.
Não concordo que num meio com tanto profissionalismo um clube da dimensão do Corinthians seja dirigido com superstição. E até entenderia a posição do presidente caso sua decisão não fosse tomada de última hora.
Seria muito melhor ter pensado nisso antes e mudar a data do lançamento para um jogo que não fosse decisivo.
Altitude
O Santos atropelou o San José na Vila Belmiro. Na partida de Oruro também jogou bem no primeiro tempo, vencia o jogo, mas quando acabou o gás o time da casa virou o placar.
Quem impossibilitou o Peixe de vencer aquela partida foi a altitude de 3.800m. Tecnicamente não há comparação entre as duas equipes. Portanto, um fator estranho ao jogo prejudicou a equipe visitante.
Mais um motivo para a Fifa acabar com jogos em locais que dão imensa vantagem ao time da casa. Além da influência na produção dos atletas que não estão preparados para jogar em locais tão altos eles também correm riscos de vida.
No dia que acontecer uma tragédia vão fazer alguma coisa. Quem avisa amigo é!
Fofocas e especulações
Na atual situação do Paulistão, com tantos interesses em jogo, a imaginação fértil do torcedor levanta hipóteses absurdas. Perigoso é quem não entende a coisa pelo lado folclórico e espalha mentiras que podem se transformar em verdades pela força da corrente do boca a boca.
Claro que a mala corre solta. O que é lamentável! É verdade também que dependendo das circunstâncias e o interesse do torcedor a história é inventada de acordo com os seus interesses e imaginação.
O pior de tudo é que no meio de tanta sandice acabam envolvendo gente séria e honesta, que trabalha no futebol por idealismo e amor. E muitas vezes têm prejuízos morais sem a menor culpa.
*Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio e professor universitário. Site www.marciobernardes.com.br.
Escreve no A Cidade às terças e sextas.