Vicente Golfeto
Sexta-Feira, 4 de Abril 2008 - 23h30 Necessidade é o território da Economia. Já o luxo situa-se no âmbito, no campo do desejo. Mas ambos – extinto o consumo – viram lixo. Com exceção de jóias. Jóia é o único luxo que não vira lixo. Tudo o mais, vira. Inclusive e principalmente as grifes, mesmo as mais caras, as que seu uso caracteriza um estilo de vida.
Para Coco Chanel, “luxo não é o oposto da pobreza. É o contrário da vulgaridade”. É exatamente nesta brecha que entra a classe média.
Até recentemente, luxo era característica do perfil de consumo das classes mais ricas. Agora são meta das amplas classes médias.
A começar pela classe média alta, aquela que está sempre matriculada em dois vestibulares. O primeiro é o que ela almeja sistematicamente: passar para a faixa dos considerados ricos. O segundo – que ela teme – é cair para níveis inferiores da classe média.
Mas, o próprio conceito de luxo tem mudado. Como tem mudado o conceito de jóias, que chegam a ser o oposto de bijuterias. Quilates e pedras preciosas ainda contam mas não definem uma jóia. O design pesa cada vez mais. Também um título com conteúdo de conhecimento pesa cada vez mais do que um título de propriedade imobiliária, tanto urbana quanto rural, quando se deseja antever o futuro de dois jovens, digamos.
Estas mudanças ocorrem, atualmente, com uma velocidade nunca antes imaginada.
Quando você imaginaria que, numa empresa por exemplo, o poder – como atualmente ocorre – se transferiria do ter para o saber, da propriedade para a gerência? Creio que nunca.
Assim, o luxo não distingue mais os ricos. É apanágio, igualmente, do consumo da classe média. Só a jóia, do luxo, não vira lixo.
E mais: a capita – que faz o capital e domina a capital – manda mais do que o dinheiro vivo.
Na era do conhecimento, os talentos – dados por Deus – fazem talento, que na época de Cristo significava moeda forte. Talento, inteligência, faz talento, grana.