Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Sexta-Feira, 4 de Abril 2008 - 23h30

Transição para o nada


Raros políticos vivem para a política. A maioria vive da política. É o caso evidente desses profissionais do “levar vantagem”, que nunca largam o osso e têm uma capacidade aparentemente infinita de enganar o povo. Por menos que fazem, blasonam que fizeram e farão. Por mais suspeitos pela manipulação de verbas públicas ou, para falar claramente, pelo furto do dinheiro do povo, posam de honestos. Quanto mais autoritários são, posam de democratas. Mesmo os que usufruíram a ditadura ou aqueles que pretenderam trocar de ditadura, alardeiam ser arautos da liberdade e dos direitos humanos.
Até quando o povo engolirá e sustentará essa gente? Pelo andar da carruagem, no Brasil eles terão vida mansa por longo tempo. Pois modernizaram o coronelismo, apropriaram-se de técnicas manipuladoras, criaram os “marqueteiros” capazes de transformar água em vinho e dar ao povo o ouro dos tolos.
Não será com moralismo nem desprezo que o Brasil se livrará dessa gente. Eles contam com a alienação política que eles mesmos sustentam e ampliam. Para explorarem o poder e transformarem o governo em fonte de falcatruas, institucionalizaram o assistencialismo e fabricam as leis que os tornam impunes. Como superar essa politicanalha?
Há exemplos de todo tipo na história. Às vezes, quando o povo se rebela, nem adianta servir brioches... Há ocasiões em que o sangue lava a alma do povo. Outras, em que as boas intenções se transformam em emendas piores que os sonetos.
Em Ribeirão Preto estamos aparentemente “longe da história”. Aqui, onde crescem os canaviais e o dinheiro, a mediocridade política abusa da inércia histórica. Será possível, algum dia, um choque político que abale nosso povo em transição para o nada?

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