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Boa Forma

Sabado, 5 de Abril 2008 - 14h12

Corrida por saúde

Adriana Matiuzo
WEBER SIAN Corrida por saúde NA ESTEIRA Falta de espaço nas ruas não é desculpa para deixar de correr

É com muita disposição para entrar em forma e ficar em dia com a saúde que pessoas comuns de Ribeirão Preto dão a largada para praticar a corrida de rua. O esporte atrai cada vez mais adeptos por promover efeitos rápidos, por exigir pouco investimento financeiro e por ser acessível a qualquer perfil, independente da idade, do tamanho e do histórico esportivo.
O interesse pelas corridas de rua vem crescendo na cidade. Para se ter uma idéia, há cinco anos foram realizadas três provas de corrida em Ribeirão. No ano passado foram 11 e este ano devem ser 14 provas ao todo. Outro dado interessante é que a corrida da Caixa, a maior realizada na cidade, teve 450 inscrições três anos atrás, quando realizou sua primeira edição. No ano passado, foram 1.200.
Para o personal trainner Evandro de Lazzari, as corridas atraem cada vez mais porque necessitam de investimento financeiro menor do que outros esportes. Normalmente, o maior gasto é com o tênis, que, necessariamente, deve ser adequado para corridas, com um bom sistema de amortecimento para privar as articulações de desgastes.
Outro motivo que atrai novos atletas é a flexibilidade de horários e locais para os treinos. Mesmo que o corredor esteja em outra cidade, por exemplo, ele tem condições de fazer seu treino normalmente.
Há ainda um terceiro fator que atrai cada vez mais atletas para a corrida: a eficiente perda calórica. Cada corredor consegue perder em média 400 calorias a cada 30 minutos de exercícios. Muitos dos novos atletas procuram o esporte em busca de controle do peso e melhora nas condições de saúde.

Todo mundo pode
De acordo com o personal, qualquer pessoa pode praticar a corrida, desde que faça anteriormente uma avaliação junto a um médico cardiologista para checar as condições de seu coração. A forma de iniciar as corridas vai depender de muitos fatores, como o histórico de atividades físicas de cada um.
Lazzari recomenda que o novo corredor busque orientação profissional de um professor de educação física e que se informe junto às pessoas que já praticam a corrida de rua.
Normalmente, para quem é sedentário, o programa de treinamento prevê uma mescla de caminhadas e corridas inicialmente com uma freqüência mínima de três dias por semana, sendo no mínimo um dia de descanso. A dica é para cada um minuto de corrida, um minuto de caminhada. Isso tudo em um treino total de 25 minutos. A corrida deve ter ritmo leve para não causar fadiga no atleta iniciante.
Com cerca de três semanas de treino, o esportista já pode pensar em aumentar a sua carga de exercícios, correndo três minutos para cada um minutos de caminhada. A continuidade do ritmo vai depender dos objetivos de cada atleta.
- O volume de treino vai ter que ser sempre proporcional ao objetivo do atleta. Se ele quer participar de uma prova de uma hora, terá que treinar uma hora por dia. Se pretender participar de uma prova de duas horas, terá que treinar duas horas, disse o personal trainner.
De acordo com Lazzari, somente no caso dos atletas profissionais, o treinamento é ainda maior do que o horário previsto de prova. Os atletas profissionais também costumam ter treinos com ritmos mais puxados porque precisam alcançar a melhor performance durante as provas.
Evite o calor
É possível praticar a corrida em qualquer horário, mas o recomendável é que se evitem os picos de calor. Por isso, o início da manhã e o final da tarde são os horários mais recomendados para o esporte. Para quem não tem condições de correr nesses horários, vale a pena correr na esteira em casa ou na academia. Para quem corre somente na esteira, no entanto, é interessante pelo menos uma vez por semana ir para a rua. Outra dica é tentar elevar em 1% a inclinação da esteira para que reproduza melhor o ambiente das ruas.
O diretor técnico da Clínica Corpore de Ribeirão, Adriano Pelegrino, afirma que todos podem correr desde que constatem que estejam aptos para isso. Ele aconselha no mínimo uma avaliação nas academias para investigar o histórico de cada atleta. A academia hoje coordena três grupos, de níveis diferentes, que correm pela cidade.
Já o gerente do Grupo de Corrida da academia Cia. Atlética, Ricardo Ros, aconselha os atletas em potencial a passarem pelo médico para checar as condições de saúde. Ros acha fundamental que o corredor também faça musculação para que o corpo acompanhe o seu desenvolvimento nos exercícios. Ele acredita que a musculatura precisa acompanhar o corpo até mesmo para proteger as articulações.


Lugares
Falta espaço para corridas na cidade
Os professores são unânimes em dizer que a cidade é carente de locais ideais para a prática da corrida. Eles acham que isso acaba sendo um fator inibidor para que uma quantidade ainda maior de pessoas comece a praticar o esporte.
O personal Evandro de Lazzari disse que, apesar das pistas de atletismo na Cava do Bosque e no campus da USP, Ribeirão fica muito limitada em termos de opções para corrida. Os parques não estão adequados ao esporte. O Curupira tem uma pista muito pequena e, praticamente, sem árvores no primeiro piso e subidas muito íngrimes nos arredores. O Luiz Carlos Raya também tem arborização limitada. Com isso, muitos atletas usam avenidas como a João Fiúsa e a Maurílio Biagi para correr. O problema de correr nas ruas é o atleta fica suscetível à violência e pode perder o ritmo da corrida quando enfrenta calçadas danificadas ou cruzamentos de trânsito.
A carência é tão grande que em algumas avenidas da cidade os atletas costumam fazer marcações improvisadas sobre a quilometragem.
- A cidade é muito carente de locais adequados para o esporte. Em São Paulo, existe o Parque do Ibirapuera e, em Campinas, temos a Lagoa do Taquaral, afirmou Lazzari.
O diretor-técnico da Corpore, Adriano Pelegrino, concorda. Ele acha que seria necessário um lugar com muito verde e segurança para atrair ainda mais a população para a corrida.
Ricardo Ros, da Cia. Atlética, também acredita que o número de praticantes de corrida em Ribeirão só não é maior porque a cidade não oferece infra-estrutura para isso.

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