Jornal A CIDADE

Leia_A_cidade

Júlio Chiavenato

Sabado, 5 de Abril 2008 - 14h24

Muxoxo


O bom do capitalismo é ser capitalista. Quem não for, seja bom no que faz, tenha princípios rígidos e não transija; não aceite nem acredite em acordos; olho vivo e desconfiômetro ligado. Só assim terá respeito e salário melhorzinho. Se não for bom no que faz e cede aqui e ali, o destino é ser mal pago ou lamber as botas do patrão.
Mas quem é bom não se iluda: se contrariar de fato os interesses do capital será degolado. Não precisa se desesperar: o importante é a liberdade interior e a integridade do caráter, portanto, sobreviverá com qualquer profissão aprendida ou herdada. Pode ser marceneiro, sapateiro e até desempregado.
Do outro lado há o burguês milionário, conhecedor do bem-bom do capitalismo, com boa vida no Brasil e nas Europas, que execra o sistema e luta pela sua substituição. No Brasil temos o caso clássico de Caio Prado Jr. Herdeiro de uma das maiores fortunas brasileiras, construída desde a colônia, tornou-se teórico do marxismo e revolucionário com direito a cadeia no Estado Novo e cassação mais cadeia com o golpe de 1964.
Há também artistas que ganhavam o que exigiam, como Picasso, que dava uma banana aos capitalistas e fez fortuna pintando pombas comunistas. Para compensar (sempre há os espertos) gente como Jorge Amado, escritor populista, promovido pelo Partidão, quando percebeu que o bom do capitalismo é ser capitalista, mudou de lado. Mas não perdeu o romantismo esquerdizóide, alimentado pelo sistema que sabe das coisas.
No fim da fila ficam os trouxas. Os idiotas assumidos. Que não são excelentes no que fazem nem têm princípios tão firmes assim contra o sistema. O que fazem para sobreviver? Escrevem besteiras como esta. Para eles o “sistema” dá um muxoxo.

  • Imprimir
  • Enviar

É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso sem autorização escrita da Empresa Jornalistica Orestes Lopes de Camargo S\A
ARZ