Hamilton de Andrade Lemos
Sabado, 5 de Abril 2008 - 14h24 Alguns dias atrás, falei de um possível fenômeno social, cujo sintoma seria a onda de violência contra crianças. Tem o caso da garota torturada, dois casos de abuso de excepcionais, o garoto queimado com cigarros pelo pai e um caminhão de bebês abandonados.
O caso da menina Isabella, defenestrada possivelmente pelo próprio pai, vem somar-se às minhas suspeitas. Podemos, inclusive, deixar de lado por enquanto, os detalhes sórdidos. Se a pequena foi realmente morta pela queda ou se foi seu pai o responsável pelo ato, são informações que podemos prescindir em função do cerne da questão.
O fato é que um adulto (é preciso força para realizar este crime) assassinou uma criança. Dizer que é uma criança inocente é, no mínimo, redundante. E os motivos, se é que podemos considerá-los, desnecessários. Afinal, que motivo poderia justificar o assassinato de Isabella?
Confesso que fico atordoado com este e todos os outros crimes que incluem crianças, sem entender como a espécie humana conseguiu, após evoluir por milhões de anos, chegar ao ponto de comer suas crias.
Há um vestígio de luz sobre as raízes deste mal. Crianças simbolizam a continuidade da vida ou, em outras palavras, são o futuro, aquilo que acreditamos será o mundo de amanhã.
Dentro desta perspectiva, uma sociedade que mostra sinais de descrédito em si própria, perdida sobre seus valores e para aquilo em que pode evoluir, passa a atribuir menos importância às suas crianças. Vê, assim, as crianças como um estorvo ou objeto de suas frustrações e raiva.
Espero estar enganado nesta teoria. Se não, que nossos anjinhos aprendam rápido a voar.