Economia
Sabado, 5 de Abril 2008 - 17h10
DIFERENÇA Álcool em Ribeirão é encontrado a R$ 1,39, mas na região é possível encontrar a R$ 1,15
A safra da cana-de-açúcar está começando com o produtor recebendo R$ 29,86 – 25% menos que há um ano – por tonelada da matéria-prima destinada à produção de açúcar e álcool. A exemplo do ano passado, a safra será mais alcooleira que açucareira. O mercado externo para o açúcar não é favorável, enquanto a farta oferta do álcool vai garantir o abastecimento com bom preço para o consumidor.
Os números da produção serão anunciados pelo presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi, durante a Agrishow em Ribeirão Preto, pela primeira vez fora de Brasília. O levantamento da União da Indústria Canavieira (Unica) também ainda não é conhecido.
Aumento na produção
Por estimativa, o que se afirma é que a safra nacional deste ano será 12% superior à do ano passado, refletindo o aumento na área de plantio e com 31 novas usinas entrando em operação, sendo treze no interior paulista. Não na principal região produtora, que é Ribeirão Preto. O que ocorre são empresas desta região investindo em outros pontos.
“A região de Ribeirão Preto se transforma em pólo irradiador, levando tecnologia para outras partes do país”, afirma Sérgio Prado, diretor regional da Unica.
“Preço baixo”
Prado acredita que os preços para o produtor “continuarão baixos”. Para março/2008, o Conselho de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool (Consecana) anunciou um índice provisório, com efeito principal de acerto dos contratos relativos à safra anterior. Embora os produtores manifestem esperança em contrário, analistas não acreditam em mudança significativa no índice definitivo.
O provisório, R$ 0,2449 por quilo do ATR (resultando em R$ 29,86 por tonelada, preço básico), ligeiramente superior ao de fevereiro, significa um decréscimo de 25% em relação ao que valia a tonelada no início da safra do ano passado, R$ 39,23, e bem menos ainda que os R$ 45,00 a que chegou em 2006.
Bom para o consumidor
É reflexo da situação do mercado. Com o preço desfavorável para o açúcar exportado, também não há compensação com o preço interno do álcool. O valor do álcool hidratado entrou em declínio desde o início da safra do ano passado, com o preço de R$ 0,94, pago na usina por litro do álcool hidratado, caindo para R$ 0,69. E chegou à entressafra cotado a menos de 75 centavos.
A tendência, agora, é cair, com o anúncio de que a produção é mais que suficiente para garantir o consumo interno. Prevalecendo a lógica, é a notícia boa para o consumidor. Mas, no caso do álcool combustível vendido em Ribeirão Preto, esta lógica não existe. O preço cobrado na bomba em RP, nos últimos meses, tem sido sempre superior ao de cidades da região. Hoje, em Ribeirão chega a R$ 1,39; e em cidades próximas, até R$ 1,15.
Donos de postos alegam que praticam o preço justo após o produto repassado pelas distribuidoras. “As usinas não têm controle do mercado após a saída do produto”, afirma Sérgio Prado. A solução, diz ele, seria o governo autorizar as próprias usinas a comercializar o álcool hidratado no varejo.
CARLOS ALBERTO NONINO
Especial para A Cidade