Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Segunda-Feira, 7 de Abril 2008 - 22h29

Dramas banais


Dez minutos de chuva forte e outra vez as enchentes, com as conseqüências conhecidas que os jornais e a televisão às vezes nem mostram. Ficou tão banal que “não é notícia”. O que se pode dizer mais sobre as enchentes? Não “rende” chatear o leitor com algo que ele conhece há anos.
Depois de nos acostumarmos com a banalidade das enchentes, estamos nos preparando para conviver com a anunciada epidemia de dengue. Será mais grave, de nível 4, como afirmou o médico Antônio Sérgio Almeida Fonseca, da Fundação Fiocruz, ontem na Folha de S.Paulo. As mortes provocadas pela dengue no Rio de Janeiro, da mesma forma que as causadas pela guerra no tráfico e suas balas perdidas, começam a ser aceitas com a trivialidade com que se assimila as tragédias populares no Brasil.
Dengue, violência, drogas e o conjunto da miséria social brasileira, fazem parte do cotidiano. Alimentam a corrupção e a incompetência de um bando de políticos impunes e sem a mínima capacidade de ação solidária diante dos dramas humanos de milhões de brasileiros vítimas da injustiça social.
Nesse quadro, as enchentes em Ribeirão Preto (as de domingo e as que ainda ocorrerão se chover forte alguns minutos em futuro previsível), fazem parte do roteiro da nossa irresponsabilidade social. Que deve ser repartida por todos: existem eleitores que mesmo informados preferem eleger os mais evidentes representantes da politicanalha e os canalhas políticos que não assumem a responsabilidade pela situação dramática de parcela significativa do povo.
Pelo contrário, acusam o povo de entupir bueiros, não liquidar criadouros de larvas mas, sempre, bajulam os eleitores quando precisam dos seus votos para enganá-los de novo e eternamente.

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