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Dos Leitores

Segunda-Feira, 7 de Abril 2008 - 22h31

Dos Leitores


Campanha do trânsito

Escrevo sobre a campanha e a série de reportagens publicadas nas edições de domingo de A Cidade, relativas a propostas para a melhoria do trânsito de Ribeirão Preto. Como resolver o problema da circulação priorizando o veículo particular de Ribeirão Preto seria a pergunta ideal. Algumas sugestões [publicadas na edição do último domingo] evidenciam um discurso aparentemente de senso comum. Em apenas duas sugestões foi citado o transporte público, mas para um modo individualista. Este é o nosso problema e a verdade: não dirigimos com os outros, mas sim para nós e para os outros (direção defensiva), é o que ensinam nas auto-escolas; a maior parte dos condutores não respeita a sinalização e não admite ultrapassagem, como se as vias fossem pistas de corridas. Por exemplo, na avenida Maurílio Biagi é proibido estacionar nas mediações da escola particular que ali se encontra, mas a maioria pára, para deixar os seus filhos, interrompendo o fluxo da avenida. Ali nunca vai existir fiscalização por motivos sociais e econômicos, quem é o louco, como se diz por aí. Ao invés das pessoas deixarem o trânsito fluir, aqui, elas aceleram para não permitir a entrada do outro que está virando. Um modo simples de melhorar a circulação em qualquer cidade média e grande é priorizar outro meio de transporte que não seja o transporte particular (automóveis). Mas quem vai fazer isso em Ribeirão Preto? Então surgem as sugestões limitadas dando continuidade à política de mercado, aumento de números de automóveis. Ninguém luta para melhorar a qualidade do transporte público, tem até um comentário sobre a Nove de Julho. O cara, só, no carro, é mais importante que cinqüenta pessoas juntas em um mesmo veículo (ônibus), e diz como se tivesse razão. Sobre a avenida Castelo Branco, cuidado para não prejudicar a rotatória da Rodovia Anhangüera, porque a sugestão esboça um congestionamento pior, porque já existe. Neste local a circulação tem velocidade maior, os acidentes são piores e a maioria com morte. Tem que modificar toda a infra-estrutura para ser possível a sugestão, inclusive na rotatória da Via Anhangüera, como o caso de Campinas, sem parada.

André Barioni
Professor de Geografia
Morador em Ribeirão Preto
barioni.geo@gmail.com

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