Júlio Chiavenato
Terça-Feira, 8 de Abril 2008 - 22h27 Num país em que tudo aumenta, a redução entre 17,34% e 21,92% nas tarifas da energia elétrica distribuída pela CPFL deve ser festejada. Pela indústria, cujos custos diminuirão e pela população, que terá menos despesas. A queda das tarifas é um fato raro: no Brasil até o preço da água e esgotos sobe (mesmo onde não há esgotos); nos últimos dias anunciou-se uma alta nos preços dos remédios.
O auspicioso fato acontece quando se discute no Paraguai o preço que Brasil e Argentina pagam pela energia elétrica produzida por Itaipu e exportada pelos paraguaios. Se essa energia fosse gerada por usinas movidas a petróleo, seriam gastos 260 mil barris por dia. Mas o Paraguai só recebe o equivalente a 30 mil barris/dia.
Brasil e Argentina economizam cerca de 3,7 bilhões de dólares anualmente comprando o excedente de energia que o Paraguai não usa porque não tem indústrias. O subdesenvolvimento paraguaio, entre outras causas históricas, decorre da falta de investimentos. E faltam investimentos porque o Paraguai deixa de receber esses 3,7 bilhões de dólares, que poderiam ser aplicados na industrialização do país. Por isso eles querem rever o preço que Brasil e Argentina pagam pela energia.
O contrato que obriga o Paraguai a vender energia a preço de custo foi firmado entre as ditaduras brasileira, argentina e paraguaia. Se a oposição paraguaia vencer as eleições do próximo dia 20, pretende rever a situação. Para pagar mais ao Paraguai o Brasil terá de aumentar o preço da energia elétrica ao consumidor, que, agora, acaba de baixar.
A queda nas tarifas é um fato raro e um forte argumento do governo do Brasil: adivinhem como a opinião pública brasileira vai receber qualquer “ajuda” ao Paraguai?