Jornal A CIDADE

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Hamilton de Andrade Lemos

Terça-Feira, 8 de Abril 2008 - 22h27

Clima de familiaridade


Fui a São Paulo e, mais uma vez, me senti em casa. Enquanto muitos conhecidos se apavoram com a idéia de se deslocar à nossa capital, não faço nem sinal-da-cruz quando tenho que estar lá, seja trabalho ou passeio.
Na verdade, às vezes tenho a impressão de que percorri mais de 300 quilômetros para chegar onde estava. Afinal, Ribeirão está cada vez mais parecida com São Paulo, uma similaridade crescente, se percebem a ironia.
Logo após passar o obelisco da Bandeirantes, qualquer que seja a marginal escolhida, percebo um clima de familiaridade. O trânsito parado é uma invenção paulistana que importamos para cá.
Caso julgue o provinciano leitor que exagero, tire suas próprias conclusões tentando subir toda a Fiúsa, da Caramuru aos edifícios elegantes, às seis e meia da tarde. Se preferir, execute a tarefa à hora do almoço. Você vai precisar de toda ela.
Mas, voltando à cena paulistana, logo me deparo com pontos de alagamento. Que alegria, penso, minha cidade também tem bastante disso. Aliás, a uns cem anos. Pode ser que sejamos precursores no assunto.
Tentando fugir dos dois flagelos descritos, logo me perco no centro e atesto novas similaridades. Já temos ambulantes entulhando as ruas, dificuldades em estacionar e, pasme, até uma cracolândia. Ribeirão está mesmo cada vez mais moderna.
Da tão aclamada violência da capital não vi nada. Parece que eles regrediram um tanto neste quesito. Sugiro atenção ao Kassab. Ao nosso alcaide, assim como aos seus antecessores, parabenizo pelo modelo que estão copiando. Em breve, nem vou mais saber em que cidade estou: se em Ribeirão ou São Paulo.

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