Rodas e Cia
Terça-Feira, 8 de Abril 2008 - 22h45
NA HORA DO ATAQUE Blindar o carro não resolve o problema da violência, mas traz sossego a quem pode pagar pela proteção
Era dezembro de 2006. O empresário ribeirão-pretano Antônio, dirigia do trabalho para a casa quando foi abordado por dois assaltantes numa moto. O garupa apontou a pistola automática para o rosto de Antônio. Não houve negociação.
“Foi um seqüestro relâmpago. Me levaram para o banco para tirar dinheiro e depois levaram meu carro. Graças a Deus não saí machucado da história”.
Para garantir a segurança dele e da família, Antônio comprou um carro novo e mandou blindá-lo. Agora, quando pára no sinal fechado, não sente mais medo.
Blindar o carro não resolve o problema da violência nas nossas cidades, mas individualmente traz algum sossego a quem pode pagar pela proteção.
Segundo a Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), há 22 mil carros blindados em circulação no país. No ranking dos carros mais blindados, o campeão é o Toyota Corolla. Na seqüência, vêm o Vectra, a Pajero, a Hillux e o Passat.
Quem blinda
Pesquisa da Abrablin mostra que 73% dos usuários de veículos blindados são executivos ou empresários. Artistas vêm em segundo lugar, com 7%, seguidos pelos políticos e juízes (5% cada). Na divisão por sexo, um terço dos carros blindados são guiados por mulheres, dois terços por homens.
Em Ribeirão, a única oficina que faz o serviço é a Massaro Blindagens. André Massaro, dono da oficina, diz que já chegou a blindar um carro por mês, mas agora a demanda é menor.
Após a última onda de ataques do PCC, em maio de 2006, a Abrablin registrou crescimento de 13% nos pedidos. “Blindar o veículo ajuda muito”, diz Massaro. “O medo desaparece e a segurança é carregada no banco de trás”.
As blindagens
No mercado, há basicamente três níveis de blindagens comerciais, com algumas subdivisões. O primeiro nível segura tiros de calibre 38. O segundo, de 357. E o terceiro, de Magnum 44.
Ainda há um quarto nível, de uso restrito, que resiste a balas de fuzil AR-15. Para proteção contra tiros de fuzil, é preciso comprovar necessidade, como risco de atentado, e obter autorização especial.
A maioria dos carros vendidos no mercado não suporta o peso extra desse tipo de blindagem, que pode significar até uma tonelada a mais.
“Os preços variam de acordo com o nível da blindagem. O nível III-A (calibre 44) é o mais completo e custa em torno de R$ 80 mil”, diz Massaro. “Mas, aqui na nossa empresa, o nível mais procurado é o II-A (calibre 357), que custa em torno de R$ 60 mil”.
Os dois tipos de proteção oferecidos pela oficina acrescem 140 quilos ao peso do carro. A carga extra vem dos materiais usados para reforçar desde vidros até as rodas.
Quatro tipos de blindagem
Dependendo do material usado, o carro poderá suportar tiros de calibre 38, 357, Magnum 44 e até fuzil AR-15. O primeiro tipo quase não é feito e o último só sai com autorização especial. O carro pode ficar de 100 a 1.000 quilos mais pesado com a blindagem.
SERVIÇO
Massaro Blindagem
Avenida Caramuru, 1454
16-3456-1155
DA REPORTAGEM