Rodas e Cia
Terça-Feira, 8 de Abril 2008 - 22h55
NA OFICINA O Golf de Marco Antônio Nemer, recebendo suspensão de rosca
Mexer na suspensão do carro é uma prática comum entre os motoristas brasileiros, mas só agora será legalizada.
No próximo dia 1º de maio, entra em vigor a resolução 262 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que torna legal levantar ou rebaixar a suspensão dos veículos.
“Muita gente já faz isso ilegalmente. Então, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) tornou a prática oficial”, diz Marcos Vinícius Aguiar, coordenador da comissão de segurança da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA)
Embora não especifique quais tipos de modificação poderão ser feitas, a resolução é bem clara: não permite o uso de molas com regulagem de altura. Assim, não estão homologados os sistemas com rosca e a ar.
Baixando o carro
Para deixar o veículo com visual mais esportivo, muitos motoristas têm adotado a prática de rebaixar a suspensão.
Há quatro formas de se fazer isso: cortar ou comprimir as molas, colocar molas esportivas, instalar um kit de suspensão a ar ou adotar uma suspensão de rosca. Só esta última não tem contra-indicações.
Dirigir um carro com as molas cortadas em pistas desniveladas ou cheias de buracos resulta em interferência na absorção de impacto, no conforto e na estabilidade, além do risco de quebra das molas.
A suspensão a ar, que possibilita o ajuste da altura do carro de acordo com sua preferência, pode causar um desgaste maior do sistema que sustenta o veículo, com a mudança constante de regulagem da suspensão.
Já a troca das molas originais por outras esportivas só é indicada para quem vai utilizar o carro em pistas de corrida, pois elas respondem bem em alta velocidade.
Mesmo com esses contras, muitos motoristas procuram por esses sistemas. “Instalo uma média de quatro suspensões a ar por mês. É muita coisa. As pessoas querem estética antes de tudo”, explica Renato Issamu, da Cascavel Rodas. (Com Jornal do Carro)
Pela beleza
“O motivo principal para eu ter colocado suspensão a ar é a estética. O carro fica muito mais bonito rebaixado”, diz Rogério Aparecido Dias, o Diério, da Tecnosom.
O Audi A3 de Diério é atualmente o 1º do Ranking Brasileiro de Rebaixados na categoria roda aro 18 polegadas. “Ele fica quase encostado no chão e ainda consegue andar”, afirma ele.
Marco Antônio Nemer mal tirou seu Golf da concessionária e já levou o carro para trocar a suspensão, usando o sistema de rosca.
“Costumo deixar o carro numa altura só. Não gosto de ficar mexendo muito na altura dele não. Se algum dia precisar levantar, posso fazer isso com o auxílio de um macaco em alguns minutos”.
Como legalizar
Quem quiser alterar a altura do veículo deverá levá-lo para inspeção num órgão cadastrado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), onde a mudança pretendida será avaliada. Após aprovada, será emitido o Certificado de Segurança Veicular (CSV).
Os passos seguintes são fazer a modificação e levar o veículo ao Departamento de Trânsito (Detran) para acrescentar ao documento a inscrição “medida verticalmente do solo ao ponto do farol baixo do veículo”, como consta na nova resolução.
Para o preparador de carros Ricardo Petito, a medida deve incentivar a busca por serviços de qualidade. Mas há algumas ressalvas: “Se o Inmetro fizer muitas exigências, não vai coibir o serviço das oficinas ‘de fundo de quintal’, que cobram barato e rebaixam só com o corte de molas.” Para ele, outros itens de personalização, como rodas maiores, também deveriam ser legalizados.
“A demanda por serviços de personalização é muito grande e o governo deve se adaptar à essa realidade”, afirma o preparador Fernando Batista, mais conhecido como Batistinha.
Quem já roda com um veículo com suspensão modificada vai precisar esperar para saber se poderá ou não legalizar a situação. Segundo a assessoria de imprensa do Detran, a questão ainda está sendo analisada.
DA REPORTAGEM