Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Quarta-Feira, 9 de Abril 2008 - 22h9

Riqueza da construção


Arquitetos dizem que o que uma cidade oferece de mais importante aos seus habitantes são os locais de troca, de eventos, de solidariedade. Os logradouros públicos em geral –praças, jardins, calçadões – são exemplos. Mas é preciso que os habitantes se sintam em liberdade, em segurança e em harmonia entre eles. O que lhes traz paz e conforto.
Com falta de segurança – que tolhe mais ainda a liberdade – abrem-se duas novas realidades. A primeira é que o arquiteto precisa desenvolver projetos particulares – inclusive com a construção de conjuntos residenciais fechados – que supram esta necessidade. Os espaços passam a ser privados. A segunda é o que entendemos ser a origem primeira dos shoppings centers.
Sentimentos constroem as cidades. O medo é um deles. No traçado urbanístico, pelo tipo da construção pode-se ver o medo por trás da obra. Mas a busca de status e sua divulgação igualmente move o investimento feito pelas empresas de construção, cujo objetivo é atender à demanda. Afinal, mostra-se poder – econômico e político – por meio da arquitetura, da construção. Quanto mais evidente a riqueza da construção, maior o poderio demonstrado. Esta busca de demonstração de status tem nome, alavanca importante na mobilização do ser humano. Chama-se vaidade. Inveja, ciúme, avareza, igualmente movem o homem.
A necessidade é a mãe da criação. E mãe da inteligência. Ela está por trás dos sentimentos que movem a construção civil, sempre revestida, direta ou indiretamente, pela ação da arquitetura e do urbanismo. Quanto mais se impõe o individualismo, mais as áreas públicas devem existir porque o homem continua sendo, por dentro, um ser gregário. Toda esta nova realidade surge porque a ineficiência do Estado em gerenciar a segurança e os espaços públicos de lazer e de esportes – dentre outras atividades – obriga ao surgimento de alternativas privadas para supri-la.

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