Júlio Chiavenato
Quinta-Feira, 10 de Abril 2008 - 22h36 Terça-feira assassinaram em Curaguaty, no Paraguai, a brasileira Silvana Rodrigues, esposa do radialista e líder político Alfredo Tomás Avalos, alvo do atentado, que ficou gravemente ferido. O crime acontece a dez dias das eleições. As autoridades afirmam que não foi crime político, mas um “ajuste de contas” entre rivais. Já vi esse filme muitas vezes no Paraguai.
Que “rivais”? De um lado o radialista, militante da oposição, que denuncia o tráfico e o contrabando; de outro, traficantes e contrabandistas, apontados como suspeitos pela polícia. Detalhe: no Paraguai, há 60 anos, traficantes e contrabandistas aliam-se a grupos governistas do Partido Colorado, que manteve uma das mais ferozes ditaduras do Cone Sul. Costumam “eliminar rivais”.
Esses crimes intimidam a população, especialmente nas pequenas cidades e no campo e abrem as portas para as fraudes eleitorais. Geralmente acontecem às vésperas das eleições, quando um candidato oposicionista se destaca. Tudo o que quer o governo egresso da ditadura e tão ditatorial quanto, com novos métodos e os mesmos apoios de Brasil e Argentina, é que a oposição denuncie tais crimes como verdadeiramente eles são: políticos.
Então, reage ameaçando suspender eleições ou prendendo a torto e direito, abusando do terrorismo intimidador. Já vi esse filme, repito, em passadas eleições, quando o candidato era Domingo Laino. Vi sua correligionária, dona Lola, chegar atrasada a um jantar e explicar tranqüilamente o atraso: tentaram matá-la, o seu carro estava perfurado pela metralha.
Agora morreu uma brasileira. O que vai fazer o nosso governo, sempre aliado às ditaduras e apoiando suspeitos de narcotráfico, como o general Lino Oviedo? Fala Lula.