Hamilton de Andrade Lemos
Quinta-Feira, 10 de Abril 2008 - 22h36 Uma mão lava a outra. E as duas juntas batem palmas para a política nacional. Ficamos todos emocionados com a gratidão das centrais sindicais para com os congressistas que aprovaram a lei que beneficia os primeiros.
Agradecer é coisa que nossos pais ensinam e a generosidade uma virtude que deve sempre ser estimulada. No caso, o agradecimento veio na agradável forma de scotch 12 anos, espumante de primeira linha, comida e muitos tapinhas nas costas.
Nos Estados Unidos, este tipo de movimento de grupos junto a forças políticas se chama lobby. É tudo (aparentemente) feito às claras, com objetivos e métodos bem definidos. Por aqui, tudo isso se repete de forma suspeita, por métodos obscuros e com interesses pessoais.
Mas o que se viu em todos os telejornais tem raiz histórica. É uma mistura do beija-mão com o tomaladacá, uma troca desinteressada de favores onde as duas partes saem ganhando. Até aí tudo bem, a não ser o fato de que, neste tipo de troca, alguém paga a festa. No caso, nós, pra variar.
Pensando em entrar na mamata, aventei a possibilidade de criar meu próprio sindicato. Dos publicitários e dos jornalistas já têm. Talvez tente o sindicato dos cronistas, mas duvido que os companheiros aí de cima consintam em fazer parte e, ainda mais, colaborar com parte dos salários para a contribuição anual.
Quem sabe possa formar o sindicato dos maridos. Boa idéia! Há muitos deles por aí e o sindicato nacional dos maridos poderia representar uma das classes mais oprimidas de nossa sociedade. Aposto que muitos participariam com prazer da parte festiva da organização. Isso, é claro, se as esposas deixarem.