Vicente Golfeto
Sabado, 12 de Abril 2008 - 0h41 A decisão entre esquerda e direita, que configurava posturas ideológicas, hoje parte de conceitos morais. Prevendo isto, o primeiro ministro britânico, Harold McMillan, dizia: “quando as pessoas quiserem uma orientação moral elas devem procurar seus bispos. E não os políticos”.
Quem são os esquerdistas de hoje? São os que defendem maior participação do Estado na economia? Não. Esta era a postura passada, que vigorou até que as ideologias fossem soterradas com o muro de Berlim. Atualmente, considera-se de esquerda – os progressistas – os que defendem a descriminalização do uso da maconha, a instituição do aborto como direito da mulher, a união civil de pessoas do mesmo sexo.
É aí que aparecem as religiões. Que passam a ser um protagonista muito mais importante do que foi em passado recente no âmbito das atividades políticas.
Quase antevendo esta realidade – mas na época sentindo a ação das seitas religiosas – Mao tsé-Tung, líder chinês, dizia que: “religião é veneno. Degenera a raça e retarda o progresso do país”. Adeptos de cultos os mais diversos não querem que a ciência – inclusive a política – seja confrontada com a religião, mas com a teologia. O que muda o ângulo de observações mas não torna as críticas mais serenas.
De qualquer forma, já nas próximas eleições municipais, quando os problemas locais deverão se destacar, teremos discussões de questões morais, principalmente nos grandes centros. Do ângulo de posturas menos conservadoras, teremos candidatos com orientação clara principalmente nas capitais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Marta Suplicy e Fernando Gabeira são os que poderiam ser considerados a nova esquerda. Como foram no passado. Só que atualmente têm outra visão ideológica. Gabeira defende claramente o capitalismo. Que abre para a liberdade. E liberdade e prazer, sem controle, conduzem à anarquia.