Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Sabado, 12 de Abril 2008 - 0h42

Se fosse norte-americana


Imaginem uma norte-americana de 38 anos, esposa de um político paraguaio, assassinada no interior do Paraguai. A notícia estaria nas primeiras páginas dos jornais brasileiros. Mas foi assassinada no Paraguai “apenas” a brasileira Silvana Rodrigues, esposa de um oposicionista do Movimento Popular Tekojoja.
Os jornais brasileiros, embora tivessem a notícia disponível no dia do assassinato (terça-feira, 8) só deram uma “nota” na quinta-feira, sem nenhuma chamada de primeira página ou destaque interno. Apressaram-se a divulgar a versão oficial, que o crime “não era político”. Copiaram a informação de um jornal paraguaio (como sempre, por telefone) que por sua vez a obteve de um funcionário do governo.
Se chove na Carolina do Norte, ficamos bem informados. Se uma brasileira é assassinada no Paraguai, lemos a versão oficial, sem destaque. Como reagem os norte-americanos quando um cidadão do seu país é molestado em qualquer parte do mundo? O governo se pronuncia, exige esclarecimentos, ameaça represálias e manda uma comitiva de senadores investigar o caso.
Mas o Brasil é “esperto”. Outros interesses falam mais alto. Se essa morte fosse investigada por emissários do nosso governo, poderia causar constrangimento, pois levaria certamente aos bandos paraguaios promíscuos (políticos, contrabandistas e narcotraficantes), historicamente aliados e apoiados pelo Brasil, que em troca, tem metido as patas naquele país.
A imprensa é “cuidadosa” e minimiza o assassinato da brasileira. A exploração brasileira no Paraguai depende da permanência no poder dessa turma que há 60 anos mata e esfola os paraguaios. Velho filme: há três dias “defendo” o Paraguai, capaz de me acusarem de traidor da pátria...

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