Jornal A CIDADE

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Hamilton de Andrade Lemos

Sabado, 12 de Abril 2008 - 0h43

Salvem as palmeiras


Ano eleitoral, parece que vão sair algumas obras contra as centenárias enchentes. As palmeiras da Jerônimo pagarão o pato, já que estão no meio do caminho e foram testemunhas de todas as enchentes de nossa história.
Elas também são centenárias e, como todas as gerações de moradores e comerciantes dos locais flagelados, resistiram bravamente ao sobe e desce das águas. Só não resistirão à falta de sensibilidade e criatividade técnica dos responsáveis pela obra.
Ao que parece, a opinião pública está confusa quanto à permanência dos vegetais diante da promessa de solução das enchentes. Pergunto apenas se a natureza e dimensões das obras propostas compensarão a perda e descaracterização de um importante elemento da identidade local.
Antes que cortem as árvores como salames, sugiro alternativas mais respeitosas, como a transposição, por exemplo, já que os espécimes têm um sistema radicular pouco profundo. Ouvi falar de método semelhante utilizado na criação de ilhas artificiais em vários lugares do mundo, como Dubai e Havaí.
No projeto que vi, transportam-se palmeiras e coqueiros igualmente altos para os novos locais, mantendo um escoramento durante determinado tempo. Basta que as árvores estejam sãs, como parece ser o caso das nossas, para que logo estejam belas, formosas e salvas.
O importante mesmo é que a sociedade tenha consciência da importância das palmeiras da Jerônimo. São monumentos naturais de propriedade dos cidadãos de Ribeirão Preto. Quem pensaria em retirar as oliveiras do monte onde Jesus fez seu último retiro? Mas por aqui, parece mais fácil esquecer o passado em nome de um futuro construído à motosserra.

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