Economia
Sabado, 12 de Abril 2008 - 1h13
VERSÃO Consumidores no Centro de Ribeirão Preto: demanda não está aquecida, segundo a Fecomércio
Os argumentos que estão sendo utilizados pelo Banco Central e por analistas do mercado financeiro sinalizando um possível aumento da taxa de juros básica da economia (Selic) na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na semana que vem, são inconsistentes na avaliação da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP).
Segundo o presidente da entidade, Abram Szajman, não há excesso de demanda no mercado, mas uma “recomposição gradual do consumo, após décadas de retração causada pelo arrocho monetário”.
Programas
“Esta recomposição está centrada na oferta de crédito e nos programas intensivos de transferência de renda, sem gerar qualquer pressão de preços que justifique uma elevação dos juros”, afirmou, em nota divulgada ontem.
Para a Fecomercio, o aumento da Selic não será eficiente no controle da inflação e trará conseqüências negativas ao País, como a valorização do real, estimulando as importações em detrimento da indústria nacional; aumento da dívida pública; redução do investimento público; redução na geração de emprego e renda, com elevação do risco de inadimplência.
Nada genérico
Szajman considera que não há aumento generalizado de preços, pois de acordo com o Índice de Preços no Varejo (IPV) apurado pela entidade, apenas alguns setores tiveram altas, como o de material de construção, supermercados e açougues, enquanto outros registraram baixas, como eletroeletrônicos, combustíveis e lubrificantes.
“Ao invés de elevar a taxa de juros, o governo deveria é cortar os seus gastos, que representam o principal obstáculo ao crescimento sustentado da economia”, defende o presidente da Fecomercio-SP, que destaca que a previsão para o ano é de que o gasto público aumente 10,5%, mais que o dobro do crescimento de 4,8% estimado para 2008.
A entidade também chama a atenção para a diferença entre o desempenho das grandes redes e do pequeno comércio. Enquanto em 2007 a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV) mostrou um crescimento do comércio de 4,4% a Pesquisa Conjuntural do Pequeno Varejo (PCPV) apontou uma queda de 1,2%. Esse comportamento vem se repetindo em 2008. (Com AE)
‘Inflação não vem da estrutura brasileira’
Ao comparar a elevação da inflação no mundo e a trajetória dos preços no Brasil, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o “Brasil está muito bem colocado na questão da inflação”.
Em entrevista coletiva à imprensa, na sede do Fundo Monetário Internacional, em Washington, o ministro elogiou a condução do regime de metas no País. “Em matéria de controle da inflação, o Brasil está indo muito bem. Está sendo muito bem administrado o sistema de metas de inflação”, afirmou.
“A inflação está dentro da meta”, citou Mantega, ao avaliar que o que ocorre no País é “uma pequena elevação (dos preços), devendo-se nitidamente a produtos agrícolas. É choque de oferta, não é inflação estrutural”, acredita.
A inflação “vem do mercado internacional, não vem da estrutura brasileira”. “Estamos em situação favorável. Há países com meta de 3,5% ou 4% e que já estão com i 6,5%, 7% ou 8%. O Brasil tem oscilado muito próximo do centro da meta (4,5%)”.
DA REDAÇÃO