Dos Leitores
Sabado, 12 de Abril 2008 - 14h49 Adeus, China
A onda de protestos que vem ocorrendo nas cidades pelas quais a tocha olímpica realiza a sua frustrante trajetória é apenas um centésimo do que o mundo deveria estar fazendo hoje. Sim, porque ainda é muito pouco perto das mais de 7000 mortes na Praça da Paz Celestial (paradoxo total esse nome), conhecida como a Praça Vermelha (esse sim um nome mais condizente), onde houve um mar de sangue e que toda a humanidade foi testemunha em 1989. Lembra o estudante parando a fila de tanques? Se não lembra, vai ver o Faustão, ok. Também, os protestos não são nada, nadinha perto da humilhação que o povo tibetano sofre desde a sua tentativa de emancipação, lá pelos anos 50. Sem falar nas centenas de mortes e crimes cometidos pelos chineses. Dalai Lama sobrevive, graças. Também, as tentativas de fazer fumaça com a tocha não é nem um grão de areia perto de toda a absurda poluição que a China joga em nossa atmosfera, em nome de seu crescimento maravilhoso. Tem atleta campeão olímpico que já afirmou ser impossível respirar e competir em Pequim. Que parece muito São Paulo, com aquela névoa constante de gazes e poluentes, difícil saber quando é dia, quando é noite. Ou quase isso. O certo é que se tivéssemos vergonha na cara e se as grandes nações não tivessem o rabo preso com os negócios da China, era para estarmos todos fora destas Olimpíadas. Ora essa, onde todos estão com a cabeça? Esta situação me faz lembrar um dos mais belos filmes feitos nos últimos anos, Adeus, Lênin. Que mostra com humor inteligente um filho, na Alemanha Oriental, fazendo de tudo para que sua mãe, adoentada e militante do partido, não descubra as mudanças pelas quais o mundo estava atravessando, mais precisamente a derrocada do Socialismo. Bom, é mesmo o que acontece na China. O país é um verdadeiro desastre social e ambiental. E todos ficam vangloriando seu crescimento feito pela fabricação de produtos de terceira à custa de escravos. Um dia isso acaba. E adeus, China.
Gustavo de Almeida
Redator publicitário