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Sabado, 12 de Abril 2008 - 15h48

Mais veículos sem barreiras

AGÊNCIA ESTADO Mais veículos sem barreiras CAPTIVA ESPORTE O Captiva brasileiro virá do México. A GM vai importar o utilitário-no segundo semestre de 2008

Hoje eles são cerca de 30, mas até o final do ano serão mais de 35 e, em 2009, ultrapassarão os 40. Veículos feitos na Argentina e no México, países que têm acordos bilaterais com o Brasil, vêm conquistando grande espaço em nosso mercado. E a invasão tende só a aumentar, segundo especialistas.
Dois fatores fortalecem esse fenômeno: queda na cotação do dólar e ampliação da demanda interna. Para suprir o mercado, a tendência é aumentar as importações. “Os países latino-americanos têm linhas de veículos complementares e as montadoras vêem o Mercosul como uma região integrada”, diz Jackson Schneider, presidente da Anfavea, a associação das montadoras.
“México e Argentina complementam o pátio brasileiro, o que nos permite ter fábricas especializadas em determinados produtos e maior variedade de carros para oferecer em toda a América Latina”, diz Antonio Baltar, gerente de Marketing da Ford.
A montadora importa o Fusion, mexicano mais vendido do País. Quando o sedã chegou aqui, em 2005, a participação dos veículos feitos na Argentina e no México no total de estrangeiros oferecidos no Brasil era de 40%. Atualmente, passa de 76%.
De acordo com informações da Anfavea, a expectativa é que as vendas de importados cresçam 40% até o fim de 2008, ante o acumulado de 2007. Esse porcentual é bem maior que os 14% estimados para os veículos nacionais.

Produção em conta
É mais barato fazer carro no México que no Brasil”, afirma Fabrício Biondo, gerente de Planejamento de Marketing da Volkswagen, marca que oferece o maior número de modelos livres de impostos de importação no País.
Mas, segundo especialistas, essa é uma particularidade da Volks, em razão de acordos firmados com fornecedores mexicanos. Para as demais montadoras, aumentar a variedade de veículos disponíveis no Brasil, a preços competitivos, também contribui para a chegada de mais modelos feitos na Argentina e no México.

Invasão
Somente nos últimos 30 dias chegaram os mexicanos VW Jetta Variant e a nova geração do Honda CR-V. E vem mais por aí. Ainda este ano virão da Argentina a versão de quatro portas do hatch Citroën C4 e a nova geração do Ford Focus Do México, desembarcam o Nissan Tiida flexível, Chevrolet Captiva e Dodge Journey.
Para 2009 estão previstas as picapes médias da Volks e da Fiat e a nova Ford Ranger, todas argentinas. E a Honda fará um sedã compacto em sua fábrica a ser inaugurada no país vizinho
“Todos os modelos são complementares ou vêm substituir veículos ultrapassados”, afirma Arnaldo Brazil, consultor da Prime Action Paulo Roberto Garbossa, da ADK, cita o Captiva como exemplo. “Compensa mais importar um carro que já está pronto do que investir na reestilização de um ‘velho’ como a Blazer.”

Pequenos são raridade
Mesmo com a enxurrada de estrangeiros, a hipótese de as fabricantes instaladas aqui trazerem carros menores e mais acessíveis parece longe de se tornar realidade. Isso porque as plataformas que o Brasil não dispõe e que estão instaladas na Argentina e México são de modelos de segmentos superiores e caros.
“Os veículos com menor valor agregado roubariam espaço de automóveis feitos aqui. Assim, a montadora ‘canibalizaria’ seu portfólio”, diz o consultor Arnaldo Brazil. Para ele, como o Brasil não tem tradição na produção de modelos médios e grandes, e, portanto, mais caros, torna-se interessante optar pelos estrangeiros.

A linha Clio (hatch e sedã) é exceção. Desde o ano passado a Renault transferiu a produção do compacto para a Argentina.
Paulo Garbossa acredita que a chegada de importados mais “populares” engessaria a indústria automotiva nacional. “Isso transformaria o Brasil num grande importador de veículos”, diz.

Concorrência
Atualmente, o segmento de sedãs médios é dominado por argentinos e mexicanos. Nissan Sentra, Peugeot 307 Sedan, Jetta e Bora, da Volkswagen, Citroën C4 Pallas e os Ford Focus Sedan e Fusion brigam com apenas três brasileiros: Honda Civic, Toyota Corolla e Chevrolet Vectra.
Entre os hatches médios a situação não é muito diferente. Nissan Tiida, 307 e Focus enfrentam os nacionais VW Golf, Fiat Stilo e Astra e Vectra GT, da Chevrolet.
As picapes médias e grandes estrangeiras também se destacam. São duas argentinas (Toyota Hilux e Ford Ranger) e a mexicana Dodge Ram, ante quatro nacionais (Chevrolet S10, Nissan Frontier, Ford F-250 e Mitsubishi L200). E a partir de 2009 o time de utilitários importados crescerá.
“A concorrência é saudável, pois cria um cliente mais exigente. Se o importado for superior, venderá bem”, afirma Brazil. Antonio Baltar diz que a Ford apostou no Fusion por ele ser um carro que garante status, mas tem preço (R$ 83.620) e custo de manutenção semelhantes aos de alguns brasileiros de menor porte.

Gargalos
Mesmo atendendo à demanda de vários mercados, as fábricas de México e Argentina não trabalham à plena capacidade. No caso dos veículos mexicanos, há casos em que o mesmo carro é exportado para Estados Unidos, Canadá, Brasil e Argentina. Um exemplo é a recém-chegada Jetta Variant.
“Temos capacidade suficiente para atender a esses mercados, mas dependendo do volume de vendas há a possibilidade de restrições de configurações específicas. Não faltará carro para o Brasil este ano”, diz Fabrício Biondo.

Importados acessíveis
México e Argentina mantêm com o Brasil acordos que permitem o comércio de veículos sem impostos de importação. Assim, esses estrangeiros são vendidos aqui com preços competitivos. Mas há diferenças nas relações com os dois países.
No caso do México, o acordo já está consolidado. O objetivo é a integração e a complementação produtiva de seus setores automotivos. Com a Argentina o contrato expira em 30 de julho. E há uma limitação para que ele seja realmente livre: ficou estipulado que para cada US$ 100 exportados pelo Brasil, os argentinos podem exportar o equivalente a US$ 195 livres de impostos.
Mas para o consumidor é impossível perceber essas limitações. Os argentinos chegam ao País aos montes e ainda têm a vantagem de contar com alto índice de nacionalização. A maior parte das peças utilizadas em modelos dos “vizinhos” é produzida aqui.
‘ Além disso, o foco principal dos veículos argentinos é o mercado brasileiro. Para eles, exportamos essencialmente modelos de pequeno porte. E eles enviam ao Brasil carros médios. No caso do México, a prioridade de exportação são os Estados Unidos.
“É uma balança equilibrada. Da mesma forma que argentinos e mexicanos vêm para cá, carros brasileiros são exportados para esses países”, diz Paulo Garbossa.

Negociação
O setor automotivo tem atenção especial ao acordo bilateral entre Brasil e Argentina. Dos US$ 25 bilhões que representaram os negócios entre os dois países em 2007, 40% corresponderam à compra e venda de veículos e autopeças.
Por isso, na renegociação o acordo o setor deve ganhar um prazo maior. A estimativa é que, na próxima rodada de conversações, a validade do acerto passe a ter uma folga de mais cinco anos.

AGÊNCIA ESTADO

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