Júlio Chiavenato
Segunda-Feira, 14 de Abril 2008 - 23h28 A melhor censura não se faz com pauladas, mas com a tolerância esperta do vencedor. Há 30 anos, sem Internet, infiltravam-se nos jornais textos radicais de Malatesta. Hoje, com a libertinagem e a Internet possibilitando tudo, de forma anônima e sem riscos, a “revolução” está banida dos meios de comunicação. O que mudou: as condições materiais para a rebeldia social ou a vontade política de mudança? O mundo perdeu a capacidade de contestar ou subverter? Ou tudo vai bem?
Talvez os blogueiros gostassem dessa frase de Malatesta: “O sufrágio universal não é um instrumento de emancipação social, mas um meio de submissão ao capital.” Vai de encontro à birra deles contra os políticos. Mas como reagiriam a isso: “Se a miséria não embrutecesse as pessoas, se as necessidades econômicas e a preocupação com o dia seguinte não tornassem o homem submisso e medroso, (...) se a massa tivesse consciência de seus próprios direitos (...) os trabalhadores se recusariam a trabalhar para os patrões, os contribuintes se recusariam a pagar os impostos, os conscritos não fariam o serviço militar, e eis que, de um só golpe, seriam destruídos a propriedade individual e o Estado político, que são as duas correntes que esmagam e marginalizam a espécie humana”.
Já não existem anarquistas, mas punks, cuja base teórica são os rocks e a prática política nos seus milhares de blogs é falar mal da televisão e das “celebridades”. O sistema é esperto: deu liberdade a um processo de embrutecimento que embota a criatividade e canaliza a energia da juventude na agressão aos alvos criados para serem apedrejados.
A alienação das massas consolidou-se. Agora é a vez dos melhores consumidores: os jovens. De todas as classes.