Jornal A CIDADE

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Hamilton de Andrade Lemos

Segunda-Feira, 14 de Abril 2008 - 23h28

Lição de Cidadania


Não é só minha a impressão de que os valores da sociedade estão escorrendo pelos dedos. Conhecidos às vezes me contar algum episódio sobre o tema. Mas desta vez a testemunha fui eu. E conto aqui para que, talvez, possamos resgatar um pouquinho de nossa civilidade esquecida.
Semana passada, entrei num destes bancos de varejo, ação prosaica a que quase todos estamos sujeitos. Havia fila para passar na porta giratória que, invariavelmente, trava com quem porta chaves e celulares, mas não com escopetas e metralhadoras. Após a liberação, fui à outra fila, a do caixa, onde nossa paciência é testada em último grau.
Vi quando uma jovem mãe, com filho no colo, também foi barrada na tal porta. Bem em frente à porta, o segurança, de braços cruzados, ficou impassível. Ela teve que voltar, abrir sua bolsa no chão, retirar os objetos metálicos e colocá-los na caixinha de plástico, malabarismo que quase custou a queda do pequeno. Somente então pôde entrar no banco.
Neste momento, apareceu um senhor que deu um sabão homérico no segurança, nos funcionários do banco e até nos clientes. Disse em bom tom, educadamente, que nenhum deles serviria para trabalhar naquele estabelecimento, pois não sabem diferenciar uma criança de colo de uma arma. E pior: falou que aqueles que não têm as noções mais básicas de respeito e cidadania não servem para cuidar do seu dinheiro. E dito isso, foi até o balcão e solicitou o fechamento de sua conta.
Embora envergonhado, não soube o que fazer senão puxar aplausos, no que fui atendido por todos os clientes. Uma cena que, tenho certeza, nenhum dos presentes vai esquecer. Quem sabe a moda pega.

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