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Rodas e Cia

Terça-Feira, 15 de Abril 2008 - 23h37

LENDA E MITO

Orestes Moquenco
F.L.PITON LENDA E MITO RONCO PATENTEADO Filipe Ramalho, de 39 anos, voando em sua Fat Boy 1450 cc, ano 2006: “O grande barato é o barulho que a disposição dos dois cilindros provoca”

Nos seus 108 anos de existência, a Harley-Davidson passou por muita coisa, entre elas a recessão americana dos anos 30 e duas guerras mundiais. Mas fincou suas rodas na história e no imaginário da América, espalhando sua mística por todo o mundo.
Ser “harleiro” é ter um determinado estilo de vida. Nos Estados Unidos, berço das HD, a marca é comparada à bandeira nacional.
“O nome Harley-Davidson, na América, é Deus, que derrama suas bençãos em quem olha ou é dono de verdadeira obra de arte sobre rodas”, diz todo poeta o harleiro ribeirão-pretano Júlio César Quintas, empresário de 38 anos.
Quintas não é a única prova de que a moto mais famosa do mundo não obedece fronteiras. Outro aficionado de Ribeirão Preto é o contador André Guina, 36 anos.
Ele comprou uma Dyna Super Glide 1998 e desde então seu tipo de sangue “mudou de O+ para HD+”. “Com ela, sinto a liberdade que não encontro em lugar algum”, diz ele, fazendo a relação recorrente da marca com o pé na estrada.

Só ela tem
A Harley não é perfeita. Há motos mais velozes, há motos mais modernas, mas ela tem algo que as outras não têm. Um dos charmes é a personalização. Não há uma Harley igual a outra. Ponto de honra de todo dono.
Uns customizam – deixando-as diferentes mesmo – enquanto outros usam acessórios da própria marca. São alforges, pedaleiras, escapamentos, bolhas, encostos, manoplas, protetores de perna e pinturas que estampam os tanques, transformando as motos em obras de arte.
Outra característica única das Harley é o motor V-Twin, isto é, dois cilindros gêmeos dispostos em V, num ângulo de 45 graus. O V-Twin nasceu em 1909, quando a empresa tinha seis anos de vida. O primeiro motor de cilindros gêmeos era capaz de desenvolver 7 cv – uma potência considerável para aquela época.
Palavra do ribeirão-pretano Filipe Ramalho, funcionário público de 39 anos, dono de uma Fat Boy 1450 cc ano 2006:
“O grande barato é o barulho que a disposição dos dois cilindros provoca. O motor V-Twin das HD é patrimônio histórico norte-americano e até o barulho foi patenteado. É o grande diferencial da marca”, comenta.


As confrarias que fazem a fama
Donos de Harley costumam andar em grupos. A própria fábrica estimula a confraria em torno da marca. Em 1983, foi fundado Harley Owners Group (grupo dos donos de Harley, na sigla em inglês, HOG), com o objetivo de atrair novos clientes para o estilo de vida que a marca acredita ser o seu grande diferencial.
Além de agregar os aficionados, de quebra, o HOG serviu para a empresa comercializar uma série de produtos relacionados, como capas de chuva, jaquetas, luvas e capacetes.
O grupo também começou patrocinar ralis. No primeiro, organizado pelo HOG em 1984, estiveram presentes apenas 28 pessoas. Mas hoje já são mais de 900 mil.
Agora, o gosto de ter uma Harley não é barato. No Brasil, segundo a fábrica, o modelo mais barato é o XL 883, que custa R$ 26.900. O mais caro, o Ultra SE 1800, sai por R$ 124.900.
Outro devoto da religião Harley-Davidson, o ribeirão-pretano Carlos Hochberg, funcionário público de 49 anos, tem uma novinha, modelo Sportster 883 ano 2006. “Tirei zero e amo andar de moto. Não faço pressão, gosto e fim”, diz ele.
Se depender dos harleiros, a mística não morrerá jamais.


Um pouco da história
A Harley-Davidson nasceu em 1903, quando William S. Harley (21 anos), Arthur Davidson (20 anos) e seu irmão Walter Davidson (22 anos) construíram a primeira Harley-Davidson, num galpão de 3 X 4,5 metros com a inscrição “Harley-Davidson Motor CO”.
A exportação das HD, que hoje chegam a 200 países, começou em 1912. Em 1920, a Harley-Davidson já era a maior fábrica de motocicletas do mundo.
Durante a Segunda Guerra, toda a produção das HD foi destinada ao uso militar, cerca de 90 mil exemplares do modelo WLA.
Já no pós-guerra, em 1950, a Harley-Davidson ganha 18 das 24 competições de velocidade nos Estados Unidos e assinalou seis novos recordes.
Em 1957, a HD coloca no mercado a Sportster de 900 cc, conhecida como a primeira superbike, ou seja, uma moto possante de alta cilindrada.
Cinco modelos novos da Evolution de 1.340 cc ganharam o mercado em 1984, incluindo a Heritage Softail. Outro hit nasce em 1990 com a Fat Boy, moto grande e larga com bancos que mais parecem cadeiras.
Em 1993, a HD comemorou nove décadas de existência com uma parada de motocicletas com a participação de mais de 100 mil pessoas.
O Brasil ganhou sua fábrica de HD em 1998. Aberta em Manaus, a unidade brasileira foi a primeira fábrica da marca fora dos Estados Unidos.

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