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Rodas e Cia

Terça-Feira, 15 de Abril 2008 - 23h49

LIGAÇÕES PERIGOSAS

Willian von Söhsten
WEBER SIAN LIGAÇÕES PERIGOSAS

Se você não consegue chupar cana e assoviar ao mesmo tempo, também não vai conseguir dirigir e falar ao celular. É o que diz o professor titular de psicobiologia da USP de Ribeirão, José Aparecido da Silva.
“Falar ao celular exige muito de nossa capacidade mental. Ao atender uma ligação, perdemos o tempo de reação”.
Segundo o pesquisador, o tempo de reação de um motorista a uma freada brusca do veículo da frente demora dois décimos de segundo. Quando se fala ao celular, o tempo dobra para quatro décimos.
Quando falamos com outra pessoa pelo telefone, há uma sobrecarga do sistema mental e não é possível capturar todos os sinais visuais, como semáforos ou pedestres. A moral da história é que o risco de acidente cresce. E muito.
“Quando se fala ao celular, o risco de sofrer acidentes aumenta entre quatro e nove vezes”, diz o pesquisador.
Para se chegar aos números, foram feitos três tipos de testes. Em ambiente real, no simulador e, por último, o chamado teste com dupla tarefa.
“É como pedir para escrever com uma mão à caneta enquanto se digita com a outra. Não dá”, diz o professor da USP.
E conversar com o passageiro ao lado? Isso atrapalha a direção? O pesquisador diz que não.
“Com um passageiro, assim como quando se ouve música no carro, o motorista consegue calibrar a atenção. Ele se desliga da conversa ou da música quando quer”.
Nesse caso, o próprio passageiro percebe como está o trânsito e pára de conversar quando percebe que o motorista está concentrado.
Multa
Celular ao volante, além de perigo, dá multa. O artigo 252 do Código Nacional de Trânsito diz que “dirigir com o braço para fora; usando calçado que não se firme bem nos pés; com apenas uma das mãos; utilizando-se fones nos ouvidos ou telefone celular” é infração média, com multa de R$ 85,13.
A Transerp (empresa que gerencia o trânsito em Ribeirão) informou que a multa por falar ao celular é a segunda mais comum na cidade.
Em 2007, foram aplicadas nada menos do que 32 mil multas do tipo. Segundo o coronel Antônio Carlos Muniz, superintendente da Transerp, multas de celular representam 28% das infrações cometidas na cidade. “Ficam atrás somente das multas aplicadas por excesso de velocidade”.


Resposta fica mais lenta
O tempo de reação a uma freada demora 2 décimos de segundo. Quando se fala ao celular, esse tempo dobra para 4 décimos


Tecnologia antimulta
Com o celular e o fone de ouvido proibidos, o jeito é apelar para as tecnologias mais modernas.
Carros mais sofisticados já vêm de fábrica com a tecnologia Bluetooth, que capta o sinal do celular e distribui no sistema de som do carro.
Para quem não tem a tecnologia, é possível se comprar um adaptador. “Ele parece um espelho retrovisor. Você instala por cima do retrovisor do carro e fica bem discreto”, afirma Alex Gomes Cardoso, da WS Rodas.
O aparelho custa aproximadamente
R$ 750 e é instalado na hora. Ele reconhece o celular num raio de dois metros. Toda vez que alguém liga o número aparece no espelho e basta apertar uma tecla para atender a ligação no sistema viva-voz. Tanto o Bluetooth quanto o adaptador são legais e evitam multas, mas o pesquisador da USP ainda faz algumas ressalvas.
“As pessoas acham que o problema está em tirar a mão do volante para falar ao celular, mas não é assim. O problema está na atenção que se dá à conversa por celular e isso prejudica o motorista e aumenta o risco de acidente”, afima José Aparecido da Silva.


SERVIÇO
WS Rodas
Av. Treze de Maio, 667
(16) 3967-6880

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