Vicente Golfeto
Terça-Feira, 15 de Abril 2008 - 23h52 A principal função da polícia – das polícias – é proteger o cidadão. Já as armas – exército, marinha e aeronáutica – têm que defender a nação. Assim, pode-se dizer que as polícias estão para as forças armadas como o teatro está para o cinema. O teatro é o melhor lugar para o ser humano se ver da mesma maneira que o cinema é o melhor espaço para o país se enxergar. Um país sem cinema é como uma casa sem espelho.
Lucius Anneu Sêneca dizia que “o que o homem vê fora dele ele tem dentro dele”, como que a insinuar que as pessoas são nossos espelhos. Nós vemos nos próximos os defeitos que nós temos dentro de nós mesmos. E nos qualificam para o mal.
Estas são apenas algumas analogias que se pode fazer entre as diversas áreas do saber humano como que a demonstrar que o conhecimento – scientia, em latim – é único. A divisão feita pelo homem – sobretudo para efeitos didáticos – somente pode ser entendida como algo que facilite a compreensão. Mas a unidade é clara. E mostra o todo, sempre formado pela soma das partes. É daí que vem a importância da anatomia, onde anah é conjunto e tomus é parte, fração, pedaço.
Quando Santo Agostinho diz que: 1- a missão do professor é apenas e tão somente despertar as virtualidades do educando”; 2- educar é ensinar a pensar, ele nos mostra que é daí que nasce a necessidade de se ter visão holística, do todo. Que o livro confere e o computador aborta.
Cinema e teatro fazem vir à tona o que está oculto. Pelo menos aparentemente oculto, concretizando a missão do artista que é, dentre outras, transformar em visível o que é invisível.
O teatro, entre os gregos, era igualmente estudado como instrumento da Medicina, facilitando a compreensão do que estava escrito no pórtico de Delfos: “conhece-te a ti mesmo”. Ou, em latim, noce te ipsum. O cinema, por seu lado, em nos mostrando o todo, abre nossos olhos sobre o que há em nosso redor.